A disco music

A disco music

Por Valdir Antonelli

conhecida, por pouco não coincidiu com o estouro do punk rock. Dois gêneros dispares, mas que foram oxigenados pelo mesmo denominador comum: o rock progressivo, que aos poucos ia perdendo sua força, afinal não era nada fácil dançar e curtir a noite com músicas viajantes de mais de 20 minutos. E o que a molecada queria era festejar. Tudo bem que os anos 70 foram considerados como a década perdida para o bom gosto, já que calças boca de sino, colarinhos gigantescos, cabelos com cortes horríveis (tudo bem que nos 80 as coisas não melhoraram muito neste quesito), sapatos com salto plataforma – para homens -, meias coloridas, etc, etc, etc, mas pelo menos na música algo interessante estava sendo feito. Mas não podemos esquecer que a Disco Music tem entre suas raízes as mesmas sementes que criaram o rock. O blues, o jazz, o funk, tudo unido criando um ritmo altamente contagiante, ou você vai dizer que não bate os pézinhos quando rola Village People?? A disco estava tão ligada a estas raízes que roubou o termo discotheche de um clube dedicado ao jazz criado em 1941 na França.

Não se sabe muito bem quando o movimento surgiu, mas muita gente considera o ano de 1974 como o verdadeiro começo da era disco. Neste ano dois fatos marcaram muito a época: o estouro dos clubes em Nova York, Filadélfia e Miami, embalados por gravações de Gloria Gaynor com o hit, Never Can Say Goodbye, Doona Summer com o seu primeiro disco Lady of The Night e o sucesso do grupo Abba, Waterloo. Além de várias outras músicas que aos poucos foram se tornando hits nas pistas entre elas Shame Shame Shame (Shirley & Company), Rock the Boat (The Hues Corporation), Everlasting Love (Carl Carlton) e as mais conhecidas dos brasileiros You`re the First, The Last, My Everything e Rock You Baby, respectivamente nas vozes de Barry White e George McRae. Foi também a época onde os DJ`s passaram a ser badalados, afinal eram eles que escolhiam os sons que animavam as pistas de dança. Outra coisa que facilitava a vida dos DJ`s foi a criação dos discos de 12 polegadas, com uma única música de cada lado, o que simplificava, e muito, o trabalho de procurar e botar a música pra rolar.

No ano seguinte a balada continuava, e só aumentava os ganhos da industria fonográfica, nomes como KC and The Sunshine Band, Earth Wind and Fire e Kool and The Gang, só para ficarmos nos mais famosos, gravavam seus primeiros álbuns que caiam, quase totalmente, nas graças dos DJ`s. Clubes como o Loft e Paradise Garden, em Nova Iorque, floresciam como os mais descolados disco-clubs e serviram de influência para outros que foram surgindo pelo mundo, inclusive aqui no Brasil. Neste mesmo ano a música The Hustle, do cantor Van McCoy, se torna o primeiro single disco a vender mais de um milhão de cópias. E, mostrando que a febre era altamente contagiosa, a Europa também aderiu à disco, e alguns artistas passaram a se destacar, o principal, claro, são os suecos do Abba que novamente se destaca, agora com a música Mamma Mia. Abba que, novamente, em 1976 continuo entre os destaques, agora com Dancing Queen.

Não podendo ficar de fora da febre a gravadora Motown, responsável por grandes sucessos da música negra americana, aposta em Diana Ross, recem saída das Supremes, para se tornar a nova Diva Disco. Não precisamos dizer que ela conseguiu… Mas o pontapé que faltava para a Disco tomar o planeta foi dado somente em 1977, e contou com um dançarino e um grupo australiano como principais responsáveis pelo estrondoso sucesso e a industria do cinema, que não poderia perder a chance de faturar. São eles John Travolta e o grupo Bee Gees. O filme? Saturday Night Fever, ou em português Os Embalos de Sábado à Noite. Este mesmo ano também é responsável pelos maiores sucessos da disco, além das faixas de Saturday Night Fever – Stayin`Alive, How deep is your love e Night Fever – tivemos Roberta Kelly com Zodiacs, Earth, Wind and Fire com Fantasy e, uma das mais clássicas até hoje, Disco Inferno com o The Trammps. Além da estréia da modelo Grace Jones no mundo da música, com o hit La Vie en Rose.

Finalmente o mundo é tomado pela disco music e o que era, um tanto, restrito aos clubes mais descolados passa a ser de domínio público e o ano de 1978 se torna o mais massificante da cena. Alguns grupos, que ficavam restritos a estes clubes, passaram a ter uma aceitação maior e a mescla da música com a cultura gay rendeu alguns hits como You Make me Feel na voz de Sylvester e Macho (a real real one) com o semi desconhecido Celi Bee, mas o troféu ficou mesmo com o pessoal do Village People que neste ano lançou dois dos mais importantes hits da disco music (e também da “gay” music) Macho Man e Y.M.C.A. O Grammy também se rendeu ao estilo e o grupo A Taste of Honey ganhou o prêmio de melhor artista novo com a música Boogie Oogie Oogie. São deste ano também os sucessos de Santa Esmeralda com a regravação de Don`t Let Me Be Misundestood e Gloria Gaynor com I Will Survive, outro hit gay. O sucesso era tanto que até um grupo contra a disco music foi criado, o Disco Sucks, que morreu pouco tempo depois de sua criação. A nota curiosa disso tudo é que até grupos de rock se aventuraram pela seara disco. O Blondie, grupo com a ex-coelhinha Debby Harry com Heart of Glass e também o grupo de metal Kiss com I Was Made For Loving You. Pois é, todos queriam faturar.

Aos poucos, depois deste estouro entre os anos de 1977 e 78 a disco vai perdendo força. 79 ainda tem um grande destaque, mas as gravadoras querendo apenas faturar em cima da quantidade passaram a jogar no mercado artistas riziveis, os famosos one hit wonders, artistas totalmente fabricados e que não conseguiam se sustentar além do primeiro compacto, entre as dezenas de novos artistas os que se destacaram foram Anita Ward com Ring My Bell, Alicia Bridges com I Love the Nightlive, Charo com Dance a Little bit Closer e Laura Taylor com Dancin in my Feet. Claro que os já medalhões continuaram trabalhando. Donna Summer veio com Hot Stuff e Earth, WInd and Fire com Boogie Wonderland, mas era pouco, principalmente se olharmos para os dois anos anteriores. Em 79 o estilo começava a render seus filhotes e surge um dos primeiros grupos de rap, Sugarhill Gang, mas que foi lançado como um artista da disco music.

Novamente é o cinema que dá novo fôlego a um estilo entrando na decadência. Em 1980 são lançados os filmes Fame e Xanadu, respectivamente com Irene Cara e Olivia Newton John, só que no lugar de levarem a disco music de verdade para as telas o que vemos são tentativas um tanto frustradas de ligar outros ritmos ao que foi sucesso. Os dois filmes tentavam buscar inspiração na disco music, sem realmente conseguir, mas serviram como alento para os fãs das discoteques. Mas o que realmente salvou a disco neste ano foram dois trabalhos de grupos já veteranos, os clássicos Kool and The Gang com Celebration e o Earth, Wind and Fire com Let`s Grove. Mas o fim já estava anunciado com a entrada dos anos 80. Quem ainda segurava a onda nos disco-clubes era o público gay que foi atingido diretamente pelo começo da AIDS e os jovens já não se interessavam em músicas como Phisical, que ainda conseguiu certo destaque, de Olivia Newton John. As vendas dos discos de artistas da Disco Music foram minguando e “novos” estilos foram tomando seu lugar, mas ao contrário da Disco Music, foram desagregadores. O disco deu lugar ao Rap, que criou o Break e que, pelo menos aqui no Brasil, ainda era vendido como Disco. O Rock também voltava à cena com o estouro do punk e da new wave. Assim novos grupinhos foram criados e quem gostava de um estilo, normalmente, odiava o outro. A união acabou com o fim da Disco Music.

E no Brasil? Pois bem, por aqui a disco durou bem mais do que lá fora, culpa de DJ`s como Iraí Campos e Cia, que insistiam em continuar tocando os clássicos de 77, 78, 79, lá pelos idos de 84, 85, e pior, misturando tudo com a new wave que chegava por aqui na mesma época, uma verdadeira salada que só poderia rolar em terras abaixo do Equador. Casas clássicas com TOCO em São Paulo, Hipopotamus e Papagaios no Rio, davam a tônica e sustentavam o estilo. Até uma filial do lendário clube nova-iorquino, Studio 54, foi aberta em São Paulo, pelo empresário Roberto Amaral, não durou muito. Na TV a Rede Globo abraçou o estilo com Dancing Days, que destacou artistas como Frenéticas, Ronaldo Resedá, Lady Zu entre outros. Fora que todos os outros apresentadores de TV, em outros canais, também aproveitaram a onda pra faturar, até mesmo Flávio Cavalcante, mais famoso por quebrar discos que ele não gostava no ar.

Mas a exemplo do que rolava lá fora, os jovens foram perdendo interesse pela disco e novos sons tomaram conta das pistas de dança, destas casas antigas, a única que continua ativa é a TOCO, que fica no bairro da Vila Matilde em São Paulo, mas totalmente descaracterizada, hoje rola por lá samba, pagode e forró. Mas isso não quer dizer que a Disco Music foi esquecida, existem programas de rádio que ainda tocam os grandes sucessos da época, principalmente as baladas terrivelmente açucaradas, mas que embalavam corações mais afoitos. Existem também grupos que se dedicam a viver esta época, um dos destaques fica para os brasilienses do BSB Disco Club, que lembra vários hits em seus shows pelo Brasil. Pena que muita gente ache as músicas da era disco coisa trash…

Abaixo você tem uma lista com 100 grandes sucessos da era Disco no mundo: 1. Got to be Real- Cheryl Lynn 2. It`s raining men- Weather Girls 3. Good Times- Chic 4. Oh, Happy day- Roberta Kelly 5. Rock your baby- George McCrae 6. Bad Girls- Donna Summer 7. The best disco in town- Ritchie Family 8. Boogie Wonderland- Earth Wind & Fire and The Emotions 9. Spacer- Sheila & B. Devotion 10. Boogie Oogie Oogie- A Taste of Honey 11. Automatic Lover- Dee D. Jackson 12.Hot Shot- Karen Young 13.Going Back to my roots- Odyssey 14. What`s your name, What`s your number- Andrea True Connection 15. Turn the beat around- Vicki Sue Robinson 16. Video Killed the Radio Star- The Buggles 17. Can`t fake the feeling- Geraldine Hunt 18. I need your lovin`- Teena Marie 19. I`m coming out- Diana Ross 20. Feels like I`m in Love- Kelly Marie 21. Can you handle it- Sharon Redd 22. Young hearts run free- Candi Staton 23. Good time tonight- Kool & The Gang 24. Burnin`- Carol Douglas 25. You sexy thing- Hot Chocolate 26. With your love- Donna Summer 27. Never can say goodbye- Gloria Gaynor 28. Heart of Glass- Blondie 29. I remember yesterday- Donna Summer 30. Nice and Slow- Jesse Green 31. Disco Nights (Rock Freak)- GQ 32. Last night a DJ saved my life- Indeep 33. I will survive- Gloria Gaynor 34. Stayin` Alive- Bee Gees 35. (Reach Out) I`ll be there- Gloria Gaynor 36. Kung Fu Fighting- Carl Douglas 37. Warm Ride- Rare Earth 38. I`m so glad that I`m a woman- Love Unlimited 39. MacArthur Park- Donna Summer 40. Keep it coming love- KC & The Sunshine Band 41. Here comes that sound again- Love De-Luxe 42. Dance (Disco Heat)- Sylvester 43. I`m a sucker for your love- Rick James & Teena Marie 44. This is it- Melba Moore 45. Dance and shake your tambourine- Universal Robot Band 46. I gotta keep dancin`- Carrie Lucas 47. Dancin` Tight- Galaxy 48. Hot Hot- Debbie Jacobs 49. Shake it up tonight- Cheryl Lynn 50. Do you love what you feel- Rufus & Ckaka Khan 51. Boogie Woogie (Dancin`Shoes)- Claudja Barry 52. Doctor`s orders- Carol Douglas 53. Last Dance- Donna Summer 54. I don`t know if it`s right- Evelyn “Champagne” King 55. Best of my love- The Emotions 56. More More More (part 1)- Andrea True Connection 57. Come to me- France Joli 58. Oh, what a life- Gibson Brothers 59. Zodiacs- Roberta Kelly 60. A night to remember- Shalamar 61. Never knew love like this before- Stephanie Mills 62. That`s the trouble- Grace Jones 63. You make me feel (mighty real)- Sylvester 64. It only takes a minute- Tavares 65. Give it up- KC & The Sunshine Band 66. Cocomotion- El Coco 67. Love Trial- Kelly Marie 68. I love the nightlife (disco `round)- Alicia Bridges 69. Macho man- Village People 70. America Generation- Ritchie Family 71. I want your love- Chic 72. Hold back the night- The Trammps 73. Everybody Dance- Chic 74. I am what I am- Gloria Gaynor 75. My simple heart- The Three Degrees 76. Dance with you- Carrie Lucas 77. Don`t leave me this way- Thelma Houston 78. Disco Fever- Tina Charles 79. After Dark- Pattie Brooks 80. Fame- Irene Cara 81. Dance a little bit closer- Charo 82. Take your time (do it right)- The SOS Band 83. One Love- Celi Bee & The Buzzy Bunch 84. I love New York- Metropolis 85. Rescue me- A Taste of Honey 86. Love come down- Evelyn “Champagne” King 87. I`ve got to dance (to keep from crying)- The Destinations 88. NY you got me dancing- Andrea True Connection 89. Let`s fly away- Voyage 90. The love stealers- Saint Tropez 91. Ring my bell- Anita Ward 92. Come to america- Gibson Brothers 93. Dim all the lights- Donna Summer 94. I just keep thinking about you baby- Tata Vega 95. I love america- Patrick Jouvet 96. Dancin` Fever- Claudja Barry 97. Over and Over- Disco Circus 98. Love for sale- Boney M 99. Yes sir, I can boogie- Baccara 100.If my friends could see me now- Linda Clifford

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