Por Divulgação
A série Quase Auroras, composta de cerca de 30 desenhos (2005 a 2009), é originária de uma experiência de Tunga com certo objeto que estava em seu ateliê – uma garrafa de cristal posta sobre sua mesa de trabalho. A peça durante muitas jornadas serviu para o artista pousar o olhar, de onde então partiam seus devaneios.
O objeto chegou a alcançar a afetividade de um talismã. Tunga, aos poucos, foi colocando na garrafa fios de cabelo, correntinhas, fragmentos de imã e até o líquido amarelo de sua própria urina, radicalidade, orgânica e experimental, recorrente em sua vida e em sua obra, sempre viscerais. “Tinha a nítida impressão de que fora feito através de mim, não por mim, algo como psicografado, talvez por isso me atraía, produzia efeitos colaterais, remetendo a projeções…”, afirma o artista.
A peça passou então a acompanhar os longos silêncios em frente ao papel, do artista que diariamente ocupa seu local de trabalho. “Não raras vezes me surpreendi olhando o vazio embora visasse o ‘troféu-talismã’. Se assim digo é porque nele depositava uma quantidade de fonte de inspiração. Não que o usasse como modelo para meus desenhos, mas na contemplação dele via outras imagens como que subjacentes a ele, vapores ou sombras de naturezas totalmente diversas”, escreve Tunga no catálogo da exposição.
A percepção visual dos brilhos e reflexos projetados pelo objeto levou o artista a denominar o que involuntariamente havia construído de “phanocópio de projeção”. Impregnado por essas imagens luminosas e oníricas, Tunga desenvolve a série de desenhos, por ele revelada como “phanografias cromáticas de deposição”.
Um dos artistas contemporâneos mais importantes do cenário internacional, com maior penetração em museus de todo o mundo, Tunga (1952, PE) foi um dos primeiros nomes do elenco da Millan (1986). O conjunto de desenhos apresentado nesta exposição é um desdobramento do trabalho Laminated Souls, que o artista apresentou no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro (2006), na galeria Luhring Augustine e no PS1/ MoMA, em Nova York (2007), quando também expôs At the Light of the Two Worlds, trabalho que ocupou a pirâmide do Museu do Louvre (2005) e foi visto em Paris por 4 milhões de pessoas. Os desenhos remetem ainda à obra Cooking Crystals presente na terceira edição da Bienal de Moscou (2009).
Galeria Millan
Rua Fradique Coutinho 1360 – São Paulo
De segunda a sexta das 10h às 19h, sábado das 11h às 17h
Tel/Fax: 11.3031-6007 – www.galeriamillan.com.br