Por Divulgação
O evento, um dos principais destaques do Ano da França no Brasil, traz uma extensa programação composta por mostra de 133 fotografias do artista francês, lançamento do livro Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo, uma parceria entre as Edições SESCSP e a Cosac Naify, além da exposição paralela “Bressonianas”, com fotógrafos brasileiros influenciados por Cartier-Bresson, exibição de filmes e debates com pensadores e pesquisadores brasileiros e franceses.
“Tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado. É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”.
Henri Cartier-Bresson
Criador de um estilo inconfundível, aclamado como “o olho do século 20”, Henri Cartier-Bresson (1908-2004) deixou sua marca como um dos mais representativos fotógrafos humanistas da história pela forma como conseguiu mostrar enfaticamente a beleza dos gestos mais simples do homem, ao captar cenas de flagrantes pelas ruas do mundo. Cartier-Bresson começou a fotografar efetivamente em 1931 influenciado pelos surrealistas – “não pela pintura deles, mas pela percepção do subconsciente”, explica o coordenador geral do projeto Eder Chiodetto. Sua obra ainda hoje inspira gerações de novos fotógrafos e serve de parâmetro para fotodocumentaristas como os que atuam na Magnum, agência criada por Cartier-Bresson e Robert Capa, além de outros, em 1947.
A exposição Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo, nome retirado de livro homônimo, abriu no dia 17 de setembro e segue até 20 de dezembro.
A mostra de fotografias do artista francês, com curadoria do editor Robert Delpire, inclui imagens realizadas em 23 países durante mais de 50 anos, entre 1926 e 1979 e está organizada em dois espaços da unidade. No térreo, o coordenador do projeto Eder Chiodetto selecionou 40 imagens que enfatizam o caráter da street photography, caracterizados pelos flagrantes de rua onde o acaso, a poesia dos gestos cotidianos, a geometria se justapõem a uma visão surrealista da vida.Por meio desta atitude libertária, que Cartier-Bresson adotou a partir do momento que passou a ver o mundo através do visor de sua primeira câmera Leica, o artista desenvolveu uma maneira original de captar e expressar suas impressões sobre o visível, criando uma linguagem que ainda hoje é referência para muitos fotógrafos. “Tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz. É organizar rigorosamente as formas visuais percebidas para expressar o seu significado. É pôr numa mesma linha de mira a cabeça, o olho e o coração”. Esta frase define como o fotógrafo percebia a vida através do visor.
No 2º andar, Chiodetto selecionou 93 fotos, das quais a maior parte está agrupada em dois núcleos: “Conflitos” e “Retratos”. No primeiro estão imagens de coberturas fotográficas em eventos históricos como o fim da Segunda Guerra Mundial – durante a qual HCB ficou anos preso num campo de concentração até conseguir fugir – a ascensão do comunismo na China e a morte de Gandhi na Índia, entre outros acontecimentos. Em “Retratos” o público poderá apreciar registros de personalidades, geralmente realizados quando o fotografado se distraia, como o pintor Matisse, o filósofo Roland Barthes e o escritor Truman
Capote, além de outras imagens captadas por ele em viagens pelo mundo. Para Eder Chiodetto “Cartier-Bresson fotografava com o instinto de um caçador que persegue obstinadamente sua presa, com um faro particular para capturar flagrantes. Sua busca incansável era pelo momento em que o universo em harmonia
conspira a favor do artista. Uma fração mínima de tempo em que forma e conteúdo atingem o limite da expressão entre as quatro linhas do retângulo do visor da câmera”.
OS FILMES
No espaço expositivo do térreo haverá a exibição do filme L’Aventure Moderne: Henri Cartier-Bresson [A Aventura Moderna: Henri Cartier-Bresson], em que o diretor Roger Kahane mostra em 29 minutos uma entrevista com o fotógrafo intercalada com cenas raras dele trabalhando em meio à multidão anônima de Paris.
Dirigido pela fotógrafa Sarah Moon, o curta H.C.B. Point d’interrogation? [H.C.B. Ponto de Interrogação?] exibe entrevista o artista em clima de intimidade. Em Contacts: Henri Cartier-Bresson [Contatos: Henri Cartier-Bresson] o editor Robert Delpire apresenta as folhas de contatos dos filmes do fotógrafo desvelando seu processo criterioso de edição. Os filmes terão áudio original em francês e legendas em português.
MOSTRA BRESSONIANAS
Com curadoria de Eder Chiodetto, essa mostra paralela terá 42 imagens de sete fotógrafos brasileiros que assumem em suas obras a influência de Cartier-Bresson. São eles: Cristiano Mascaro, Carlos Moreira, Juan Esteves e Tuca Vieira de São Paulo, Flávio Damm, do Rio de Janeiro, Orlando Azevedo, de Curitiba e Marcelo Buainain, de Natal.“A paixão pelo prosaico e pela fugacidade da vida são marcas profundas da obra bressoniana. Sua investigação não buscava a obtenção de fotografias grandiosas, mas sim, a descoberta da beleza e da delicadeza dos pequenos gestos cotidianos, reveladores da face humana”, define o
curador da mostra Eder Chiodetto, que partiu desta premissa para conceber Bressonianas, que ocupará o espaço expositivo do 3º andar. Uma extensão desta mostra paralela estará exposta na galeria externa do SESC Santana.
O LIVRO
O Livro Henri Cartier-Bresson: Fotógrafo é a síntese do trabalho deste homem que revolucionou a fotografia. Publicado em 1979, o livro traz 155 fotos selecionadas pelo autor em conjunto com o editor Robert Delpire para representar sua extensa produção. Nele, Cartier-Bresson agrupou as imagens em seis módulos, de forma inesperada e surpreendente. Se em livros anteriores, como Les Danses à Bali (1954), D’une Chine à l’autre (1954) e Vive La France (1970), sua obra era apresentada em recortes temáticos específicos, nesta obra ele abre espaço para a reflexão do leitor, convidado a estabelecer relações inéditas e pessoais sobre as fotos.
O livro Henri Cartier-Bresson:Fotógrafo é uma co-edição das Edições SESCSP e a Cosac Naify e seu lançamento aconteceu no dia 16 de setembro, no SESC Pinheiros. Não por coincidência, a exposição e o livro levam o mesmo nome, pois as 133 fotos que compõem a mostra estão na publicação das Edições SESCSP e Cosac Naify.
PROGRAMAÇÃO INTEGRADA
Uma programação integrada reúne os fotógrafos da mostra Bressonianas, pesquisadores e escritores com o intuito de levantar questões acerca do fotojornalismo contemporâneo. Serão oficinas, bate-papo, relatos, saraus e cursos. Confira a programação completa.
I. O RETRATO
Retratos urbanos
A fotografia e a cidade são os temas principais dessa conversa com o fotógrafo. Com Cristiano Mascaro.
06/11, sexta, às 20h.
Auditório.
II. FOTOJORNALISMO
Fotojornalismo: realidades construídas e ficções documentais Bate-papo com Eder Chiodetto, organizador da exposição e ex-editor do jornal Folha de S.Paulo.
Eder problematiza o atual estágio da fotografia na imprensa sob diversos aspectos, tais como a imposição de um olhar hegemônico, mitos e verdades sobre a manipulação na era da fotografia digital.
27/11, 20h, sexta.
Sala de Leitura/Auditório
Relatos do Submundo: Encontros da Madrugada
Fotojornalistas que batem o cartão após a meia-noite, contam sua experiência de fotografar a cidade durante a madrugada. Durante a conversa, eles mostram algumas imagens que marcaram suas carreiras.Com os fotojornalistas Apu Gones, Flavio Florido, Lawrence Bodner
23/10, sexta, 20h
Sala de Leitura
III. MOMENTOS DE INDECISÃO
A construção da imagem na arte ocidental
Mini-curso sobre os processos históricos de construção de imagem: da pintura ao desenvolvimento da fotografia. Pretende desenvolver uma leitura crítica do universo imagético produzido pela arte ocidental a partir do Renascimento, até o século XIX, momento em que esse gênero se expande da linguagem pictórica
para a fotográfica. Com a professora de história da arte Paula Palhares.
10, 12, 17, 19/11, terça e quinta, das 20h às 22h.
Sala de Oficinas
IV. URBANIDADE
Saída Fotográfica: Av. Paulista
Os participantes da oficina encontram-se no SESC Pinheiros e saem para fotografar o entorno da Av. Paulista. Com o fotógrafo Daniel Kfouri.
24/10, sábado, 10h30.
Internet Livre
Saída Fotográfica: Elevado Costa e Silva
Os participantes da oficina encontram-se no SESC Pinheiros e saem para fotografar a região do Minhocão. Com o fotógrafo Sérgio Barzaghi.
31/10, sábado, 11h
Internet Livre
V. NARRATIVAS BRESSONIANAS
Fotografias literárias
Criação de pequenos contos, poemas e histórias a partir de saídas fotográficas. Com o escritor Samir Mesquita e o fotógrafo Eduardo Muylaert
16, 17 e 18/10, sexta às 20h, sábado e domingo às 11h.
Internet Livre
Sarau Fotográfico
Os escritores Fabrício Carpinejar e Marcelino Freire escolhem trabalhos de Cartier-Bresson e outros fotógrafos, criam poesias e recitam obras conhecidas.
29/10, quinta, 20h.
Sala de Leitura
Crônicas Fotográficas
Com exercícios de percepção e interpretação de imagens, a proposta da oficina é trabalhar a construção de crônicas a partir de fotografias levadas pelos participantes.Com orientação do escritor Fabrício Carpinejar
30/10, sexta, 20h.
Sala de Leitura
Histórias de Elevador
O momento de indecisão no elevador.
Por Samir Mesquita.
De setembro a dezembro, em elevador da Ala Paes Leme
O projeto Henri Cartier-Bresson é destaque do Ano da França no Brasil, que acontece de abril a novembro de 2009, em diversas cidades brasileiras, com o objetivo de estreitar laços entre os dois países. Em São Paulo, o SESC traz uma programação abrangente com espetáculos, shows, palestras e debates nas mais diferentes áreas.
EXPOSIÇÃO
HENRI CARTIER-BRESSON – FOTÓGRAFO
Área de exposições, Térreo e Sala de oficinas, 2º andar
Visitação de 17 de setembro a 20 de dezembro 2009
Ter a sex, das 10h30 às 21h30 | sab, dom e fer, das 10h30 às 18h30
MOSTRA BRESSONIANAS
Área de exposições – 3º andar
Visitação de 17 de setembro a 20 de dezembro 2009
Ter a sex, das 10h30 às 21h30 | sab, dom e fer, das 10h30 às 18h30