Por Divulgação
Exposição que abre no dia 13 de julho, às 19h, traz 22 trabalhos de 13 artistas que lançam um olhar crítico, irreverente e irônico diante das estratégias de consumo impostas pela indústria cultural
De 14 de julho a 13 de setembro, o Paço das Artes traz a mostra Grau Zero, com curadoria de Priscila Arantes, diretora adjunta do MIS e do Paço das Artes, e Fernando Oliva, diretor de curadoria e programação do Centro Cultural São Paulo (CCSP). A mostra se debruça sobre imagens e ícones da indústria de consumo que, por terem sido reproduzidas incessantemente pelos meios de comunicação de massa, perderam a ligação com sua origem e habitam um campo de indeterminação e ambiguidade.
São 22 obras em diversos suportes, como vídeo, instalação e pintura, que lançam um olhar crítico, irreverente e irônico aos mecanismos e estratégias da indústria cultural e buscam uma conexão que as religue às suas narrativas originárias.
Nessa espécie de buraco negro das representações, onde o público tem dificuldade para discernir o original da cópia, o verdadeiro do falso, a reencenação da repetição, o natural do posado, oito artistas brasileiros e quatro estrangeiros desenvolvem trabalhos que discutem essas questões dando novos significados a esses ícones da indústria do consumo.
Os curadores Fernando Oliva e Priscila Arantes basearam-se em conceitos desenvolvidos por Walter Benjamim em A Obra de Arte na Era de Sua Reprodutibilidade Técnica, que assinalou o declínio da aura e a crise da autenticidade que a reprodutibilidade acarreta à obra de arte. Eles se apoiaram também no conceito de grau zero da escrita, elaborado por Roland Barthes no estudo Le degré zero de l´ecriture, que se oporia ao de literatura no sentido em que essa recorre a mecanismos gramaticais e estilísticos que se articulam com marcas ideológicas.
Dois eixos norteiam Grau Zero. O primeiro reúne trabalhos que discutem produções da cultura de massa, como sequências clássicas do cinema, ou obras que parodiam personagens reais e fictícios da indústria do consumo. O segundo destaca projetos que passeiam entre ficção e realidade.
Essas discussões são desenvolvidas pelo norte-americano Christian Marclay, em Telephones, colagem de trechos de filmes de gêneros e épocas variados. O artista e músico cria uma narrativa irônica ao combinar cenas de personagens que falam ao telefone a outras cenas de filmes que, em uma leitura mais ampla, mostra o desejo humano de conectar pessoas. Unidos, os fragmentos de filmes parecem construir uma longa conversa nessas combinações de imagens e sons.
O artista multimídia brasileiro Claudio Bueno, residente do LABMIS – Laboratório de Novas Mídias do MIS – parte da performance The Lovers – The Great Wall Walk, de Marina Abramovic e Ulay, para criar The Lovers, trabalho desenvolvido especialmente para a exposição, que parte do fim do relacionamento amoroso entre dois dos maiores ícones da indústria do consumo: Barbie e Ken. Durante a abertura da mostra, dois visitantes serão convidados a levar consigo os bonecos, que carregarão um celular em uma mochila. Depois de cinco dias, os bonecos devem ser repassados a outras pessoas, que ficarão com eles por cinco dias e assim por diante. Por meio de um blog composto por fotografias, vídeos e sons alimentados pelos participantes, o artista irá monitorar sua performance para que Barbie e Ken não se encontrem mais depois de sair do espaço expositivo.
A partir de colagens com cenas de programas televisivos, o canadense Daniel Borins, fundador da galeria para artistas emergentes Art System Cultural Centre (organizadora de projetos experimentais sobre curadoria), lança uma crítica corrosiva à faceta autoritária e redutora da cultura de massas por meio do vídeo The Apotheosis of Everything. Uma das contradições de seu trabalho é sua sedutora linguagem visual, espécie de embalagem dourada para os efeitos que condena.
O paulistano Fabio Faria, formado em educação artística pela Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) faz um remake do filme Um Corpo que Cai (Vertigo), de Alfred Hitchcock, com alterações no plano da imagem, nas cores e na duração em vídeo intitulado V (um fragmento), de 2008.
Os brasileiros residentes em Nova York Guilherme Marcondes e Andrezza Valentin trazem a animação Tyger, um curta-metragem realizado a partir do poema homônimo de William Blake. Um animal gigante passeia pela cidade de São Paulo transformando seus moradores em animais, o que configura como uma crítica à degradação do ambiente urbano.
O pernambucano Hildebrando de Castro apresenta seis desenhos em pastel (de uma série de nove) e uma instalação, que configuram a obra que originou o conceito de Grau Zero. O artista desenha bonecos coloridos que, à primeira vista, parecem comentar de forma bem humorada uma infantilização da sociedade, mas, de fato, Hildebrando critica essa infantilização do adulto.
O alemão Kota Ezawa, filho de pai japonês e mãe alemã, traz ao Brasil uma projeção em looping, The Unbearable Lightness of Being, de 2006, que deriva de uma série de fontes – TV, filmes e imagens fotográficas remanescentes do estilo dos desenhos animados como Os Simpsons e South Park e de ícones políticos.
O coletivo residente em Nova York Les LeVeque apresenta A Song from The Cultural Revolution, um vídeo musical de cinco minutos composto por imagens de um vídeo do presidente da Microsoft Billl Gates testemunhando no Senado norte-americano.
A crítica ao culto de celebridades prenunciada pela indústria cultural está presente no projeto La Storia Perduta (Lost Story), de Ornella Castelli di Sabbia, suposta diretora italiana de cinema que apresenta seu mais recente filme em um programa de auditório televisivo.
O brasileiro Tiago Judas apresenta Painel de Comando e Infinito-D, que relacionam o universo temático e lingüístico dos quadrinhos. Em Painéis de Comando, Tiago Judas cria duas engenhocas em madeira que remetem a cenários de filmes B. O artista exibe ainda Infinito-D, HQ composto por 11 desenhos em que o personagem principal, um marceneiro, sai em busca da cadeira perfeita e de seu lugar no mundo.
Rick Castro exibe seu mais recente vídeo, Super Rick, em que o artista encarna o celebre super-herói da animação e do cinema.
O artista brasileiro Rodrigo Bivar mostra uma série de pinturas que discutem o papel dos super-heróis e os usos e aplicações da técnica. Três telas selecionadas explicitam a noção de ocupar uma estrutura, um sistema, um circuito ou um gênero, e não se preocupam em prestar tributo ao cânone e sua hierarquia.
O paraense que reside em Londres Tonico Lemos traz a instalação Quatro Ventos, composta por pombos de grafite utilizados pelo público para pintar uma parede do espaço expositivo.
Serviço
Paço das Artes apresenta a mostra Grau Zero
Curadoria de Priscila Arantes e Fernando Oliva
Espaço expositivo
Abertura: 13 de julho, às 19h
Visitação: 14 de julho a 13 de setembro, terça a sexta, das 11h30 às 19h; sábado, domingo e feriado, das 12h30 às 17h30
Classificação indicativa: livre
Entrada franca
Visitas monitoradas para grupos de estudantes mediante agendamento prévio pelo Telefone 11- 3814-4832
Paço das Artes
Avenida da Universidade, n° 1, Cidade Universitária
Telefone para informações: 11. 3814-4832
www.pacodasartes.org.br