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EROTISMO SEM ORNAMENTOS
Em geral, os poetas que se dedicam a temas pornográficos optam por empregar todo o seu repertório virtuosístico nessas criações, como se a riqueza formal assim exibida fosse um meio de enobrecer um conteúdo tido como “inferior” ou “indigno”.

Reprodução

ACTION COMICS 01
A história "Revolution in San Monte" foi escrita por Jerry Siegel e desenhada por Joe Shuster. No Brasil, foi publicada nas revistas Almanaque Nostalgia e Origens dos Heróis número 1.

A ORIGEM DA SEXTA-FEIRA 13
Por Danilo Corci
27/06/2003

Desta vez, vou mudar um pouco o estilo da coluna. Ou seja, nada de arte e cultura. De vez enquando, é bom uma culturazinha inútil para ter algo inteligente para se dizer nas mesas de botecos, quando todos estão falando ao mesmo tempo, a fumaça do cigarros fazem arder os olhos e os respingos de cerveja tornam a mesa, uma lodaçal. Vou contar a todos como surgiu o mito da Sexta-Feira 13.

Gato preto, bruxas, má-sorte, bizarrices. Todas as maldições possíveis vêm à mente dos supersticiosos quando se aproxima uma Sexta-Feira 13, o Dia dos Azares e de Todos os Males. Devidamente incorporada ao folclore popular, a data até mesmo virou nome de uma série famosíssima de filmes de horror - Jason, o seu personagem-tema, a decapitar adolescentes numa cabana perdida do interiorzão dos EUA. Uma celebração da fascinação pelo horror, pelo oculto, por aquilo que ficou modernamente conhecido como gótico. Em 2001, a Sexta-Feira 13 de Abril ainda se confundiu com a data do pesar pela morte de Cristo na cruz.

Mas, como se originou tal crença? Tudo começou na França, no comecinho do século XIV, consequência dos constantes traumas financeiros do rei Filipe, o Belo (1268-1314), e da degeneração das relações entre Paris e Roma. Esgotados todos os clássicos métodos medievais de salvação do seu tesouro, como o sequestro de propriedades, a prisão dos judeus e a desvalorização da moeda, em desespero o monarca resolveu taxar a Igreja Católica.

Era pontífice, na época, Bonifácio VIII (1235-1303), descrito como "olhos e língua ferozes em um corpo completamente decrépito... um demônio". Para retaliar as medidas de Filipe, o Papa baixou um édito e proibiu a cobrança de impostos ao clero. Filipe, claro, reagiu com a energia disponível. Fechou as fronteiras da França à saída de ouro, cortou a fonte de fundos de Roma e da Igreja - e, pior, aprisionou o Bispo de Pamiers, acusado de blasfêmia, de fornicação e de feitiçaria.

Bonifácio contra-atacou com um comunicado, no qual condenou a detenção do Bispo e revogou os privilégios divinos do Belo. Felipe queimou o comunicado em praça pública. O Papa redigiu um outro, uma advertência, uma ameaça: "A Igreja é uma criatura de apenas uma cabeça, não um monstro de duas". Inesgotável, Filipe também denunciou o Papa por blasfêmia, por feitiçaria e até mesmo por sodomia. Enfim, Bonifácio excomungou Filipe e determinou aos seus núncios que espalhassem um boato tenebroso: a punição brutal se estenderia, igualmente, à França inteirinha.

A convulsão eclodiu. Os camponeses se agitaram de pavor. Filipe declarou não se incomodar com a excomunhão - preferia a revolução. E, em 1303, enviou um exército à Itália e capturou o Papa. Um mês depois, Bonifácio faleceria. Alguns historiadores dizem que morreu de raiva. Outros, que bateu a cabeça numa parede até arrebentá-la. Um Papa leal a Filipe, de nome Benedito XI (1240-1304), o Abençoado, assumiu a Igreja. A sua ascensão, porém, não aliviou a crise econômica da França.

Dois anos depois, em 1305, Filipe enviuvou e tentou se juntar à Sociedade dos Templários, cavaleiros que se consideravam especiais e que buscavam o Santo Graal, a taça utilizada por Cristo na Última Ceia. Na realidade, Filipe meramente pretendia se assenhorear das riquezas que, de quebra, os Templários surrupiavam. Os Templários, no entanto, suprema humilhação, vetaram a entrada de Filipe no seu time.

Em 1306, sob o comando de Jacques de Molay, os cavaleiros retornaram de uma investida através da chamada Terra Santa, no Oriente Médio, com as bagagens carregadas de riquezas - que negaram ao monarca. Desesperado, numa madrugada, Filipe triplicou os valores de tudo que se comercializava na França. E a rebelião explodiu de vez. A população pediu a sua cabeça. Acovardado, Filipe implorou a proteção dos Templários.

Novamente os cavaleiros refugaram. Apenas restou a Filipe se esconder. E, refugiado, a planejar a vingança. Aliás, uma ação surpreendente, na montagem e no resultado. Em 14 de Setembro de 1307, remeteu ordens seladas a todos os seus fiéis seguidores e a todos os seus oficiais. Ordens que apenas deveriam ser abertas na noite de 12 de Outubro. Inacreditável. Ninguém traiu o rei. Daí, na manhã do dia 13, começou a perseguição aos Templários. Estima-se que, até o entardecer daquela data, 5.000 acabaram radicalmente enjaulados.

Na noite de 13 de Outubro de 1307, precisamente uma sexta-feira, os fiéis de Filipe torturaram e massacraram os Templários das formas mais abomináveis - da retirada da pele ao cruel empalamento. Tudo em nome do orgulho real. Justificativa: a aliança dos Templários com Satanás e com a magia negra. Consta que vinte cavaleiros escaparam da perseguição, sobreviveram - e amaldiçoaram a data para todo o sempre.

Hoje, um tempo em que o empalamento parece estar extinto, cabe aos chamados Hackers utilizarem a Internet para distribuir vírus virtuais na Sexta-Feira 13. Por isso, muito cuidado com o seu micro.

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