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HELL - PARIS 75016
Por Danilo Corci
12/03/2004

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Pille: picaretagem vende bem

Com quantas patricinhas revoltadas se faz literatura na França? Bem, basta uma para criar um rebuliço danado. Lolita Pille é a espertinha que resolveu conquistar o mundo e a literatura. Da alta burguesia parisiense, a menina, então com dezenove anos - o livro foi lançado em 2002 -, resolveu colocar suas memórias em forma de um livro. Aproveitou-se de uma certa estética erótica e depravada, em moda na literatura daquele país, e deitou e rolou, literalmente.

Hell - Paris 75016, lançado em 2004 aqui no Brasil pela editora Intrínseca, é uma ode ao nada, ao vazio supremo. Descrevendo a vida da riquinha Ella, que por absoluto tédio criou a alcunha de Hell, ela tenta fazer a comparação entre o inferno de ser muito rico e a personagem, que vive mergulhada nas melhores grifes, gasta rios de dinheiro em apenas uma noite, faz sexo com todo mundo na hora que quer e como quer.

Lolita até que se esforça em dar algum tipo de profundidade à personagem, mas em vão. Ela não carece de nenhuma. Até mesmo a tentativa da autora em fazer a agressividade da personagem ser uma arma de irritação para o leitor se esvai ao longo das páginas, já o tom é descaradamente proposital portanto perde todo o sentido, mesmo quando ela insiste em descrever marcas de Porsches, BMWs, Ferraris, bolsas, camisas, sapatos e vestidos. Não precisa tanto para mergulhar no mundo dos ricaços, basta ler as publicidades espalhadas em todos os lugares que o resultado é praticamente o mesmo.

Hell, como a grande maioria das pessoas mimadas, trata todos com prepotência e arrogância, até mesmo o leitor. Quer algo mais clichê do que isto? Depois, se esconde na couraça da injustiça familiar, de desajustada por natureza, fruto da condição suprema do capitalismo em sua forma mais agressiva. Uma posição fácil de se assimilar, enfim, fácil de justificar.

Mas o fenômeno Lolita Pille no mercado editorial francês não é tão difícil assim de se entender. Livro de leitura fácil e rápida, escrita sincopada que não denuncia passagem do tempo (afinal, nada muda na vida da personagem diariamente) é feita sob medida para os tempos atuais, onde a compulsão e velocidade fazem parte da rotina dos leitores - até mesmo o mini-mago Harry Potter padece desta síndrome compulsiva de leitura.

Hell - Paris 75016 deveria ser lido mais sob o prisma de uma literatura erótica do Século 21 para, quem sabe, convencer o leitor. Lolita Pille, tal como sua conterrânea Amélie Nothomb e a italiana Melissa Panarello fazem a literatura sexy de jovens bonitas, que recheiam suas páginas com todas as aventuras sexuais que já fizeram na vida (ou inventaram para ela). É simples assim mesmo. Tão simplista que ao terminar o livro, a sensação é quase a mesma vivida pela personagem nas três últimas páginas: ser violado sem dó. A diferença é que para o leitor, o cérebro é que está na reta.



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  Comentários
 Roger 10/01/2005 - 12:09:51 
Este livro tem muita putaria mas é besta. é melhor ler sade e coisas que prestem do que crise idiota de uma patricinha.

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