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BADEN POWELL (1937 – 2000)
Por Redação
16/09/2003

Baden Powell de Aquino nasceu no município de Itaperuna (RJ), no distrito do Varre e Sai, em 6 de agosto de 1937. Quando Baden tinha três meses, os pais mudaram-se para o bairro de São Cristóvão, na zona norte do Rio.

Cresceu brincando nas ruas do bairro e não gostava de ficar em casa, a não ser quando o pai, Lino de Aquino, também violonista, promovia saraus com a nata dos chorões cariocas, entre eles Pixinguinha e Donga, em sua residência. A família tinha tradição musical, pois o avô de Baden, Vicente Thomaz de Aquino, também era músico, além de maestro.

Baden Powell, nome que foi uma homenagem paterna ao fundador do escotismo, cresceu nesse ambiente musical e já aos oito anos ganhou um violão de presente e um professor, Jaime Florêncio de Meira, ou mestre Meira, a quem conheceu acompanhado do pai numa visita à Rádio Nacional.

Após cinco anos de estudo do instrumento, Baden não participava mais apenas como espectador das reuniões, mas acompanhava os músicos. Nesse período de formação, Baden aprendeu violão clássico ao mesmo tempo em que continuava a receber a influência da música popular, em especial, Dilermando Reis e Garoto.

Reunia, ainda, os amigos adolescentes para ensaiar e saíam pelas ruas do bairro fazendo serenatas. Baden estudou no Instituto Cyleno, em São Januário, e animava as festas da escola ao violão. Seus compositores favoritos então eram Segóvia, Tárrega, Dilermando Reis, além de Antônio Augusto Sardinha, o famoso Garoto.

Frequentou as rodas de samba do morro da Mangueira, próximo a São Cristóvão, onde tocava tamborins e surdos. Ao mesmo tempo, adorava ouvir as grandes orquestras americanas de Glenn Miller e Tommy Dorsey, além de tocar com o colega de escola Milton Banana, um dos maiores (e esquecido) bateristas que o país já teve, inventor da batida de percussão da Bossa Nova.

Começou a acompanhar cantores com 12 anos e fez o tradicional circuito dos músicos dos anos 50: acompanhou cantoras e orquestras na Rádio Nacional, tocou em bares e boates da zona Sul do Rio. Estreou na Rádio Nacional, no programa de Renato Murce, aos 15. Após obter autorização do juizado de menores, tornou-se músico profissional construindo longa carreira, tanto no Brasil quanto no exterior. Gravou de Bach a Noel Rosa, sempre transitando entre o erudito e o popular com maestria. Instrumentista de técnica apurada, é considerado um dos maiores violonistas do mundo.

Baden Powell tem mais de 80 discos, a maioria nunca lançados no Brasil, mas facilmente encontrados na Alemanha, França, Estados Unidos e Japão, países onde não faltaram gravadoras interessadas no seu trabalho.

Assim, acabou conhecendo os integrantes da Bossa Nova, formando parcerias com Tom Jobim e Vinicius de Morais. Com este compôs “Choro para Metrônomo”, “Samba do Astronauta”, “Berimbau”, “Tem Dó”, “Consolação”, “Só por Amor” e “Tempo feliz”, entre outras. Desde 1968, teve como seu principal parceiro Paulo César Pinheiro, a quem conheceu quando este tinha apenas 16 anos.

Seu primeiro sucesso foi “Samba Triste”, de 1956, em parceria com Billy Blanco, gravada por Lúcio Alves em 1960. Em 1964 foi para a Bahia onde pesquisou os ritmos e a cultura locais. Juntamente com Vinicius de Morais comporia, então, os famosos afro-sambas “Canto de Xangô” e “Canto de Ossanha”.

Baden Powell viveu dividido entre o Brasil e o exterior por 25 anos até voltar definitivamente em 1987. Morou entre 1962 e 1983 na França e passou quatro anos na Alemanha, por coincidência na cidade de Baden-Baden. Além da facilidade para a gravação e lançamento de discos, Baden encontrou na Europa espetáculos sempre lotados e muita popularidade.

Sua fama francesa, por exemplo, pode ser medida por um episódio curioso. Solicitado a improvisar a música de abertura de um dos mais ouvidos programas de jornalismo do rádio francês, em poucos dias, as lojas de disco eram procuradas por pessoas que queriam comprar o “último disco de Baden”. Os radialistas, então, precisaram esclarecer no ar, diariamente, que se tratava de uma gravação exclusiva do programa que não se encontrava disponível em disco.

No Rio, manteve uma casa na Barra da Tijuca que é um verdadeiro sítio. Na verdade uma chácara muitas árvores e vários bichos. Os filhos, nascidos na Alemanha, Philippe e Louis Marcel Baden Powell de Aquino, fruto do casamento, em 1975, com Sílvia (paulista criada no Rio que conheceu em Paris), também são músicos: Philippe é pianista e Louis Marcel guitarrista.

Em 1995 venceu o 15º Prêmio Shell de Música Popular Brasileira pelo conjunto de sua obra. Ironicamente, após um pedido dos filhos, mudou novamente para Paris com a família no mesmo ano e retomou os tempos em que dividida seu tempo entre Europa e Brasil.

No dia 26 de setembro de 2000, o Brasil e o mundo perderam o som do violão de Baden Powell. Ele morreu aos 63 anos, no Rio, de complicações decorrentes de uma pneumonia bacteriana.

Baden Powell foi um dos maiores nomes da bossa nova, teve como principal parceiro o poeta Vinicius de Moraes, com quem compôs mais de 50 canções. Seu violão trouxe os ritmos negros para a batida e para a história desse instrumento que, depois dele e de outros, tornou-se tão brasileiro. Essa brasilidade do violão, segundo Luís Nassif, começa com os músicos nordestinos, “em geral influenciados pela tradição árabe-ibérica”. Segundo Nassif, esses músicos “desceram para o Rio nos anos 20, com os Turunas da Mauricéia. Dois de seus membros reescreveriam a história do violão brasileiro: João Pernambuco, gênio maior, e Meira, o grande mestre do violão popular brasileiro. Em São Paulo, um violão mais para o erudito se consagrava por meio de Américo Jacomino e, especialmente, do mestre uruguaio Isaias Sávio. Mas no Rio se moldava a futura maior escola de violão do planeta. João Pernambuco, com suas mãos de pedreiro e unhas compridas, criou o estilo duro, com os dedos pressionando fortemente as cordas, trazendo os sons que vinham das profundezas da cultura ibérica. Alguns anos depois, o violão brasileiro sofreria a segunda revolução, com Aníbal Augusto Sardinha, o Garoto, trazendo um estilo mais leve, jazzístico, mistura de influências de Debussy e do guitarrista cigano Django Reinhardt. A grande influência pós-anos 30 é de Reinhardt que molda toda uma escola de guitarra de jazz. Garoto vai beber nessa água quando escolhe a palheta e em Debussy quando toca com a ponta dos dedos, puxando as cordas sem utilizar as unhas. Baden Powell é a síntese aprimorada de ambos. Surge como filho dileto do choro, tendo como professor Meira. Com 14 anos, conviveu com o grupo de violonistas da rádio Nacional Garoto, Zé Menezes, Bola Sete. Depois, com Vinicius, é o grande responsável pela transição da bossa nova que já encerrava o ciclo barquinho-mar-areia --para o período que se convencionou chamar de MPB”.

Portanto, de certa forma, o violão de Baden Powell é uma das bases mais importantes da música popular brasileira hoje.

Fontes:
O violão vadio de Baden Powell; Editora: Ed. 34 e Grupo Pão de Açúcar; 1999
Enciclopédia da música brasileira : popular, erudita e folclórica; Editora: Art Editora : Publifolha; 1998; 2ª edição
Folha de S.Paulo; 27.set.2000

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  Comentários
 Silas Costa 25/08/2006 - 01:38:18 
Está faltando nesta biografia a conversão de Baden à fé cristã, não sei precisar em que época de sua vida. mas creio que valeria a pena pesquisar e incluir este detalhe.

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