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COMO PREPARAR UMA BANDA DE SUCESSO
Por Douglas Cometti
24/06/2003

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The Strokes: sucesso na medida

Aproveite o vácuo da cena musical que assola o mundo pop há alguns anos (desde Nirvana, acho eu). Pegue 4 rapazes descolados, com cortes de cabelo modernos, uma maneira de se vestir meio desleixada e que gostem de Velvet Underground, New York Dolls e Television. Junte a eles uma assessoria de imprensa esperta, com pessoas inturmadas, que conheçam bem o pessoal das redações especializadas em música. Mexa tudo, aguarde alguns dias e pronto: os Strokes estão prontos para serem servidos.

Antes de mais nada é preciso dizer que achei o CD "Is This It" muito bom. Rock honesto, com melodias simples e muito influenciado por pelos conjuntos da década de 70 citados acima. Rebelde, mas sem agressividade. Eles parecem mais do tipo festivos, sabe como é? "hey vamos dar uma festa, fazer um som...". Esse tipo de rock é ótimo para refrigerar o ambiente carregado por conjuntos como Korn, Limp Bizkit e new metals afins.

O que me parece meio estranho é a maneira como os Strokes surgiram. O hype que se formou em volta deles. Com apenas duas músicas e sem nenhum disco na praça eles foram imediatamente alçados ao posto de salvadores do rock, como se não houvesse mais nada acontecendo em lugar algum.

No Brasil isso é até compreensível. Não temos uma cena pop-rock diversificada. Nossos conjuntos parecem ter a mesma cara, sempre com aquele pop rasteiro, hora querendo parecer esperto, hora irônico e, às vezes, profundo, contestador, influenciado pela pior vertente da MPB, mas invariavelmente insosso.

Num país onde a referência de conjunto de rock ainda é o Legião Urbana —extinto há anos graças a Deus— não seria de se estranhar que a imprensa criasse novos ícones a cada semana, pelo contrário, necessitamos urgentemente disso. Mesmo assim isso não ocorre.

O intrigante é que fenômenos como os Strokes ocorra nos Estados Unidos. Como a maior fábrica de artigos pop do planeta pode se sentir carente de bons produtos? Na Inglaterra, produzir sucessos semanais é extremamente normal. Os ingleses têm uma necessidade, muitas vezes irritante, de encontrar os novos Beatles, o Oasis que o diga, mas nos Estados Unidos...

A resposta talvez esteja justamente na variedade e na quantidade desses artigos. A oferta de bandas no mercado norte-americano é tão grande que tudo parece já ter sido feito. Pode-se, sossegadamente, analisar as bandas por estilos, épocas ou até por regiões daquele país, tal o número delas.

É provável que essa grande variedade ofusque a cena prejudicando os sentidos daqueles que, via de regra, são responsáveis por nos mostrar o que de bom está acontecendo. A imprensa especializada, perdida nesse oceano de bandas, acaba fisgada por uma boa campanha de marketing. Bom para os escolhidos, pelo menos por hora.

A carreira dos Strokes foi turbinada do dia para noite. Eles responderam à altura, agora resta saber se vão conseguir passar pela síndrome do segundo disco, ou se "Is This It" vai ser lembrado daqui alguns anos por alguns poucos aficionados como um bom disco de uma época com muitos outros bons discos, mas com pouca gente para promovê-los.



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