JOSEPH CONRAD (1857 -1924)
Por Danilo Corci
21/11/2002
"Vivemos como sonhamos - sozinhos" (O Coração das Trevas)
“O objetivo que tento atingir, pelo poder da palavra escrita, é fazer você escutar, fazer você sentir e acima de tudo, fazer você ver. Isto, e nada mais, é tudo”. Palavras de Joseph Conrad, talvez um dos mais vicerais escritores que a literatura ocidental já produziu. Jósef Teodor Konrad Korzeniowski nasceu em 1857, na cidade de Berdichev, na Ucrânia, uma região que foi parte da Polônia mas na época estava sobre controle russo.
Seu pai, Apollo Korzeniowksi, poeta e tradutor de literatura francesa e inglesa, criava o garoto num ambiente efervescente, num país onde se falavam quatro línguas, haviam quatro religiões e diferentes classes sociais em combate. Por serem szlachta, uma classe herditária abaixo da aristocracia que possuia qualidades de nobreza, seu pai detinha um enorme poder político.
Porém, em 1861, envolvido em um movimento contra o domínio Czarista, Apollo teve de se exilar em Volgoda, norte da Rússia, junto com sua família. Foram sustentados pela Igreja Católica, mas o jovem Joseph contraiu pneumonia e, depois, sua mãe faleceu em 1865, de tuberculose. Tragédias singulares em menos de dez anos de vida.
Apollo criou o garoto com trabalhos de Dickens, Fenimore Cooper e do Capitão Marryat. Em 1869, seu pai também morreu de tuberculose. Conrad vai então para a Suíça, abrigado com seu tio materno, Tadeusz Bobrowski, que o influenciou definitivamente. Ele volta à Polônia e frequenta escolas em Cracóvia, criando tantos problemas até que seu tio o permitisse tentar a vida de marinheiro. Bem visto em vários círculos, acabou sendo dominado por seus amigos boêmios, que o introduziram à ópera, ao drama e ao teatro.
Mas a vida marítima o chamava. Conseguiu se tornar um observador em alguns barcos. E todo este pano de fundo se tornaram essenciais em suas obras futuras. Na metade da década de 1870, ele se juntou à Marinha Mercante da França como aprendiz e fez três viagens às Índias Ocidentais entre 1875 e 1878. Tudo isto para evitar ter de se juntar ao Exército Russo. Também se envolveu em contrabando de armas para a Espanha, que quase acabou em tragédia, com Conrad tentando o suicídio e não obtendo êxito.
Seu tio o encorajou a entrar para a marinha Mercante Britânica e conseguir a cidadania inglesa. E durante dezesseis anos ficou nos barcos da Rainha. Em 1886 era o comandante de um navio. No mesmo ano conseguiu a cidadania britânica. Em 1889 perdeu o direito de ser russo e assim poder visitar a Polônia novamente. Também mudou seu nome para Joseph Conrad.
Em 1890 foi contratado como capitão de um navio que iria atravessar o Congo, onde padeceu de malária e desinteria. Esta experiência foi fundamental para o livro O Coração das Trevas, de 1902. Sua fúria e condenação ao colonialismo foi brutal. Em 1894 abandonou o mar definitivamente e decidiu se dedicar à literatura. Aos 36 anos se estabeleceu definitivamente na Inglaterra.
Em 1895 publicou Almayer`s Folly, trabalho que consumiu cinco de seus anos. Seguiu-se An Outcast of the Islands, 1896, The Nigger of the Narcissus, Lord Jim, Youth. Ainda em 1896, casou-se com Jessie George e mudou-se para Kent. Nostromo surge em 1904, um romance que explora a vunerabilidade e corrupção humana. Under Western Eyes, de 1911, é considerado seu melhor livro, ao estilo Dostoievski. Ao término deste livro, Conrad sofre de um colapso nervoso. Conrad também aventurou-se na dramaturgia, mas suas peças eram um fracasso de público e rejeitado pela crítica. Em 1919 é aclamado como escritor. Sofrendo de reumatismo, no dia 3 de agosto de 1924, Joseph Conrad sofre um ataque cardíaco fulminante e falece. Seus restos mortais foram depositados em Canterbury. Porém sua influência na literatura do século 20 é essencial. F. Scott Fitzgerald assumiu que Nick-Carraway-Jay Gatsby foram moldados a forma do relacionamento de Marlow e Kurtz. Ernest Hemingway não escondeu sua admiração por Conrad além de Arthur Koestler, T.S. Eliot, Marcel Proust, André Malraux, Louis-Ferdiand Céline, Jean-Paul Sartre e Graham Greene.