principal
Quem somos
Fale conosco
Agência
Busca
Palavra-chave:

nos artigos
nas fotos
Newsletter
Digite seu email para
receber nosso
informativo semanal:

Artes   Biografias   Cinema   Colunistas   Dossiês   Filosofia   Fotografia   Literatura   Música   
 Música

 Veja também

Marcelo Costa

CENAS DA VIDA EM SÃO PAULO - BONNIE ‘PRINCE’ BILLY
O show está no meio, mas o rapaz quer evitar as filas e se encaminha para o caixa para pagar a conta. Uma garota, meio bêbada, balança para lá e para cá perto do local.

Divulgação

SONIC YOUTH: SLEEPING NIGHTS AWAKE
Imagine a cena: sete estudantes do segundo grau têm uma “tarefa” para o fim de semana: registrar a passagem da turnê “Rither Ripped”, do Sonic Youth, por sua cidade, a pequena Reno, no estado de Nevada, Estados Unidos. O trabalho faz parte do Projeto Moonshine.

UMA ESTRADA DE PEREGRINOS
Por Marcelo Costa
27/07/2008

Divulgação

Após a tempestade sônica Let it roll, de 2006, Robert Fisher retorna ao lirismo com seu Willard Grant Conspiracy neste Pilgrim road, sétimo álbum de Fisher, parceria do compositor norte-americano com o músico escocês Malcolm Lindsay, mas que conta com o séqüito de colaboradores que sempre marca presença em um novo álbum do projeto.

Pilgrim road ignora a demência de Let it roll para dar as mãos com Regard the end, de 2003 na sonoridade sombria e na temática religiosa. A voz de Fisher volta a lembrar Nick Cave (a associação é imediata), e canções pungentes como “Lost hours”, ao piano e cordas, poderiam facilmente fazer parte do repertório do bardo australiano, e isso não é demérito.

Robert Fisher trafega entre o alt-country noir e – o que ele mesmo chama de – punk pop folk embora Pilgrim road não traga nada de punk nem de pop, e sim uma sonoridade delicada que versa sobre fé e dúvida. “Lost hours” toma um caminhoneiro como personagem que divaga sobre o tempo perdido, a saudade de casa e a existência de Deus (”A lua está muito baixa para nos iluminar / O deserto está muito escuro para que possamos observar a noite”, canta Fisher).

No gospel “The great deceiver”, o vocalista pergunta “onde está o salvador?” auxiliado pela cantora Iona McDonald, mas ele não aparece. Na belíssima “Jerusalem bells”, outra movida a piano e cordas, o personagem fala de esperança e sorte, mas pressente que acidentes vão acontecer. “Deus e diabo estão lutando pela minha alma / E ela está cheia de buracos”, diz a letra de “Pugilist”, outra canção magnífica cujo destaque é o tocante coro vocal.

“Phoebe” fala sobre não encarar a tragédia enquanto “Painter blue”, com tintura renascentista, fala de abandono. “O amor não é verdadeiro”, canta Fisher desconsoladamente em “Malpensa”, com um bonito solo de violino. O instrumental de “Water and roses” poderia ninar psicopatas. “Vespers” é o momento da perda da fé. Há, ainda, uma versão para “Miracle on 8th street”, do American Music Club.

Mais de 20 músicos colaboram com Robert Fisher em Pilgrim road, e chega a impressionar como o músico consegue dar unidade ao som do grupo. Violino, violoncelo e órgão dançam de mãos dadas em noites escuras com guitarras, baixo e violões criando uma sonoridade perfeita para embalar temas de vida e morte, enganos e salvação, brigas e oração. Um disco bonito para se ouvir em silêncio, meditando.



Voltar Imprimir  


  Comentários
>> Deixe o seu
© Speculum - todos os direitos reservados