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ROCK RURAL DOS TELEPATAS
Por Valdir Antonelli
30/10/2007
O que leva um grupo de jovens apostar num som que nem quando era "moderno" chamava a atenção do público? Qualidade musical, obviamente. Só isso para explicar porque os Telepatas resolveram voltar até o meio dos anos 70 e vasculhar o baú de discos de seus pais e avós atrás de gente como Walter Franco, Lô Borges, Guilherme Arantes e 14 Bis e transportar aquele clima quase intimista, viajante - alguns dirão regado à drogas -, psicodélico e progressivo e até um pouco do que ficou conhecido como rock rural.
Tal onda começou timidamente há alguns anos e agora toma ares de "novo" estilo, com gente como Supercordas, Rômulo Fróes, Los Porongas e Numismata flertando, umas mais, outras menos, com sons há muito esquecidos pelas rádios e, muitas vezes, desconhecido do público, uma mistura entre MPB, pop, rock e psicodelia que deu origem ao termo "nova" MPB. Nome interessante, mas logo vai servir, se já não está servindo, como balaio para bandas tão díspares quanto o próprio Telepatas e, por exemplo, os catarinenses do Pipodélica, que também buscou idéias em músicas feitas na mesma época.
O que pode diferenciar o trabalho do Telepatas é não ter medo de assumir tais referências e até mesmo homenageá-las em canções como "Grito", cheia de pa-pa-pás, e "PrimaCanção", que poderia ter saído de algum álbum empoeirado do Terço. Alguém pode lembrar que tais "experimentações" eram comuns durante os tempos da Tropicália. De fato, mas a própria abrangência da Tropicália acabou transformando um artistas como Walter Franco em algo razoavelmente subversivo, relegando o trabalho do compositor às sessões de "MPB" na Fofinho - pra quem não conhece, uma das casas roqueiras mais antigas de São Paulo, com quarenta anos de estrada.
Deixando um pouco as influências de lado, o som do grupo peca, às vezes, pela monotonia dos arranjos e o excesso de pa-pa-pás - não sei porque estes pa-pa-pás me fazem imaginar um monte de hippies dançando em volta da fogueira. Por outro lado, canções como "Cravo" são uma boa amostra de que é possível pegar os anos 70 e transportá-lo para o século 21 e construir, quase, uma boa canção pop, apesar de que dificilmente você a ouvirá em alguma rádio. Nem mesmo a quase experimental "Maria Clara", com seu ar jazzístico, parece destoar do resto do trabalho, mesmo que fuja um pouco da temática que impera do CD, que é quase que totalmente psicodélico.
É exatamente esta psicodelia que chama a atenção, uma psicodelia rural, típica de alguns integrantes do Clube da Esquina, que ouvimos perfeitamente em "A cor da manhã". As guitarras distorcidas, de "Minhas dúvidas" e "Cérebro robô", abrem espaço para as mesmas guitarras, mas agora quase sem efeitos em "Armada". O clima acústico de "O medo é meu amigo" faz de Bandeirante um trabalho diferenciado na música independente brasileira. Apesar de várias bandas trilharem um caminho parecido, poucas - talvez o Supercordas - consigam mesclar dois momentos tão distintos da nossa música sem soarem como uma "forçada de barra" ou como apenas mais um modismo.
Os Telepatas são: Rafael Molina - Vocal, guitarra e violão Fabiano Grassi - Vocal, guitarra e violão Daniel Monteiro - Baixo Thiago Serra - Bateria
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