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FÁBRICA DE ANIMAIS
Por Danilo Corci
28/08/2007

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Alguns animais, em situações de extremo perigo, se tornam violentos. Outros, em severas condições, conseguem mudar de sexo - fêmeas viram machos, machos viram fêmeas. Se a genética humana ainda não permite essa segunda possibilidade, em confinamentos bizarros, a situação fica muito próxima. E Bunker sabe muito bem como explorar isso.

Diferente de suas outras obras, como O Menino e Cão Come Cão, em Fábrica de Animais (Ed. Barracuda, R$ 35, em média), livro que fecha a série de quatro romances e uma autobiografia lançadas pela editora brasileira, o autor não deseja, nem quer se justificar ou construir o protótipo de um homem em decadência que acaba preso. Essa realidade já está posta. O que interessa mesmo é o processo de animalização que a jaula causa e, por conseqüência, até onde alguns limites se sustentam.

Numa San Quentin em pólvora, Ron Decker, um bem sucedido traficante de drogas, é posto a prova. Ali conhece Earl Copen, o "senhor cadeia". O que ninguém entende, a princípio, é por que Copen resolve adotar Decker, numa espiral de queda (a tal situação de perigo que leva ao animalismo), numa relação que não só resvala no homossexualismo (o processo adaptativo das espécies), mas numa lealdade surgida somente entre animais que sabem trabalhar em conjunto para atingir os objetivos. E quais seriam? Primeiro, a sobrevivência. Mais tarde, a fuga.

O que interessa a Bunker, neste livro, é a distorção, é o recrudescimento mental diante do cru, do primitivo. Assim, Fábrica de Animais difere dos demais lançados no Brasil, uma vez que a linguagem adotada pelo autor transpira uma autoconfissão, onde o enredo, apesar de bem amarrado e intrigante, é a menor das preocupações. Sua linguagem extrai uma tensão crescente, sem perder o controle, com uma economia, mas repleta de paranóia.

Em certa parte do texto, Bunker diz "o homem que deseja prevalecer onde quer que esteja, incluindo a prisão, caminha sobre a corda bamba e corre perigo." Talvez isso também possa ser aplicado à literatura. Ele se arriscou. E a corda transformou-se numa brilhante epopéia prisional e literária.



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