|
|
Artes Biografias Cinema Colunistas Dossiês Filosofia Fotografia Literatura Música |
|
|
|
A BÍBLIA DO ARCADE FIRE
Por Valdir Antonelli
25/02/2007
Este é o melhor disco que já ouvi do Echo and the Bunnymen. Calma, não fiquei louco e você também não está lendo nada errado. O novo álbum do Arcade Fire, Neon Bible, poderia ter sido produzido por Ian McCulloch e sua banda e você estaria feliz da vida com a guinada criativa do grupo. Mas a felicidade ainda existe, porque Neon Bible já pode ser considerado um dos melhores discos do ano, seja cópia de Echo ou não, e o mérito é total do vocalista Win Butler, que, ao lado de Régine Chassagne, comanda os microfones.
Se o álbum de estréia do Arcade Fire, Funeral, vinha com arranjos pomposos, corinhos góspeis e uma leve influência dos anos 80, Neon Bible aposta quase todas as fichas na década que deu vida ao Echo and The Bunnymen - acho que ninguém vai perguntar porque a insistência né? -. A banda mantém a postura de criar texturas que para o ouvinte menos acostumado podem soar exageradas, - Intervencion, por exemplo - e, até mesmo, progressivas - vide a maravilhosa My Body is a Cage -, mas a proposta do grupo, conscientemente ou não, é fugir totalmente das comparações com Strokes, Franz Ferdinand e suas cópias, basta ouvir a alegrinha Keep the Car Running, dançante ao mesmo tempo que soa como uma cover dos anos cincoenta feita por uma banda dos oitenta. As citações a Nick Cave e Tinderticks também aparecem, mas de forma um tanto mais tímida que no disco de estréia, principalmente em Windowsill.
Neon Bible, por mais que traga instrumentos não convencionais no mundo do rock, como mandolins, fagotes, violas e o órgão da igreja, em Intervencion, onde eles gravaram o disco, não é um disco experimental, apesar de Neon Bible ser uma faixa estranha, o disco tem uma feição pop interessante, mesmo sendo levemente difícil entender o quão pop a banda quer ser, mas aí começam os primeiros acordes de Black Waves/Bad Vibration e nos tocamos que o Arcade Fire está pouco se lixando se é, ou vai ser, uma banda pop, daquelas que arrastam multidões aos seus shows, e olha que Neon Bible é muito mais fácil de se ouvir que Funeral. O grupo está a fim de fazer música interessante para quem quiser ouvi-la e mais nada.
Neon Bible traz em quase todas as suas canções dilemas ligados à religião, vida, morte, solidão, assuntos banais até, mas que se tornam assustadores na forma que o octeto canadense acrescenta arranjos às letras. Até mesmo faixas ´dançantes´, como a já conhecida No Cars Go, ganha timbres e vocais diferentes em relação à versão lançada em 2005, tornando-a mais sombria graças ao uso de trompetes, violinos e acordeom. Um culto quase religioso poderíamos dizer.
Popices à parte, o fato do Arcade Fire ter feito muito sucesso com o primeiro álbum, causou no público, e principalmente na crítica, uma expectativa gigantesca para saber se a banda ia conseguir segurar o pique em um segundo trabalho. As 11 faixas e os 47 minutos de duração do álbum servem como comprovação de que existe uma luz para o pop feito nesta década. Tudo bem que essa luz lembra buracos escuros que na década de 1980 eram os únicos portos seguros para quem procurava algo interessante na música.
Neon Bible será lançado no Brasil, em edição nacional graças à Slag Records, no dia 6 de março.
| Vania Smith
| 25/02/2007 - 12:16:00
| Apenas corrigindo, o nome do vocalista to Echo é Ian McCulloch.
| |
|
| Rodrigo
| 26/02/2007 - 15:59:33
| Realmente assim que ouvi neon bilble (já disponível na net), já na faixa 2-keep the car running tive a certeza de estar ouvindo ian mcculloch em mais um de seus estridentes gritos. perfeito, se não é uma homenagem é realmente o melhor álbum do echo. abraços.
| |
|
|
|
|
|