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COURTNEY LOVE COMO PRINCESA
Por Valdir Antonelli
24/11/2006

Divulgação

Bom, antes de mais nada é interessante entender o que é o mangá: de acordo com o site Mundo Mangá, mangá é a ´palavra que designa as histórias em quadrinhos japonesas. Significa literalmente ´desenhos irresponsáveis´. (...) O mangá é todo segmentado, com revistas para crianças, adolescentes, jovens e adultos com mais de 30 anos, de ambos os sexos e é editado, predominantemente, em preto-e-branco´. Ou seja, traduzindo livremente, é um gibi com diversos temas e vem, normalmente, com vários capítulos. Mas não é só isso, diferentemente dos gibis ocidentais, o mangá começa pelo que seria o nosso final, com o texto também ao contrário, da direita para a esquerda, algo que complica a vida de quem não está acostumado a ler de trás pra frente.

Isso apenas pra dizer que até Courtney Love enveredou por este caminho e ajudou na criação do mangá Princess Ai, lançado recentemente no Brasil pela Conrad, cuja princesa é baseada em Courtney. Escrito por Ai Yazawa, Princess Ai tem três edições - já lançadas -  e conta a história de Ai, princesa que acorda em Tokio sem lembra do seu passado. Perseguida por alienígenas vindos de seu planeta natal, Ai se transforma em estrela dá música pop japonesa enquanto tenta encontrar um sentido para as lembranças que volta e meia pipocam na sua cabeça.

A pequena fábula ganha contornos mundanos quando Ai encontra emprego em uma boate de strip-tease e vê-se frente a frente com a inveja e a violência quando uma de suas ´colegas´ resolve expulsa-la do palco. Ingênua e inocente, Ai não entende muitas coisas que acontecem à sua volta, mas sabe que ali não é o seu lugar. Encontra um porto seguro em Kent - na verdade um Kurt Cobain estereotipado -, guitarrista nas horas vagas, mas que ganha a vida como atendente de biblioteca. Mas como a história está apenas começando, Ai abandona Kent para que ele não seja ferido por seus inimigos e... bom, compre o mangá e leia o resto.

Na verdade Ai é o alter-ego de Courtney Love, um alter-ego extremamente mais inocente e infantil, principalmente por Princess Ai ser voltado para o público adolescente feminino, uma heroína que poderia ser aquela sua vizinha sardenta e com aparelhos nos dentes, que quando começa a cantar consegue conquistar até mesmo os corações mais duros. Assim como uma parcela grande das histórias japonesas, Princess Ai tem contornos fantásticos, a luta do bem contra o mal, intriga, briga pelo poder e, bem, isso também lembra filmes de Hollywood, mas o grande atrativo são as belíssimas ilustrações,
sim aquelas que retratam os japoneses com olhos enormes e com uma mescla de ingenuidade com apelos sexistas, mas sem chegar às vias de fato. Não existe um seio à mostra, uma cena de sexo mais direta, nada. Princess Ai é uma fábula quase infantil e romântica.

As referências à vida real de Courtney Love aparecem à todo momento. Courtney, por exemplo, também trabalhou em clubes de strip-tease, a caixa em forma de coração, que alerta Ai sobre perigos próximos, remete à canção Heart-shaped box do Nirvana, Kent, amor de Ai, é Kurt Cobain. Mas a participação de Courtney no mangá da-se apenas no primeiro número. Os dois seguintes já não contaram com a assistência da roqueira.

Tirando a curiosidade em tratar da ´vida´ de Courtney Love, Princess Ai é um ´gibi´ para quem já curte mangá. Sua história é simples e até certo ponto infantil, mas como o público alvo é exatamente esse é uma boa sacada da Conrad em lançar a série por aqui, já que no Japão fez um estrondoso sucesso.



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