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TODA CURA PARA TODO MAL
Por Valdir Antonelli
29/06/2005

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O Pato Fu é a maior amostra de que dá para fazer pop inteligente neste país sem cair nas armadilhas das gravadoras. Muito menos apelar para modismos passageiros. Parte disto vem da persistência de não mudarem o formato: canções bobinhas entrelaçadas à outras com letras mais "cabeça". Este é o Pato Fu desde que estreou, lá pelos anos 90, com o disco Rotomusic de Liquidificapum. Ou seja, é a banda que dificilmente vai desagradar algum fã, ao mesmo tempo que conquistam novos com o passar do tempo.

Toda Cura Para Todo Mal, primeiro desde Ruído Rosa, disco de 2001, também é o primeiro álbum depois da gravidez de Fernanda. Também é o primeiro depois da saída da antiga gravadora. Com todo o tempo do mundo para a produção do trabalho, o Pato Fu fez um CD bem pop, daqueles grudentos, onde é fácil encontrar vários possíveis hits. Diferente dos anteriores apenas a "falta" do experimentalismo, uma das características do trabalho da banda, que foi deixado de lado. Em troca, temos baladas juvenis cercadas por arranjos de teclados, violões e guitarras comedidas. Mas claro que as "estranhices" estão presentes na sensacional Simplicidade, canção caipira com voz robotizada, no metal (!!) Estudar Pra Que e nas "eletrônicas" oitentistas O Que é Isso? e !, todas canções que fogem do resto do disco, mas não parecem estranhas ao mundo do Pato Fu.

Mais do mesmo, diria um crítico chato. Na verdade é esse mais do mesmo que faz do Pato Fu uma banda interessante e que já está influenciando gente por aí. São canções singelas como Amendoim, que narra a história de um cãozinho com ciúmes de um bebê, baladas adolescentes, como Sorte e Azar e Agridoce, ou a engraçadinha Uh Uh Uh La La La Ié Ié que revelam a veia pop do grupo. Pois é, canções que elevam à enésima potência as influências da banda, como os Mutantes, na já citada Uh Uh Uh La La La Ié Ié, jovem guarda, em Agridoce, e bossa nova, em Vida Diet. Com letras bem boladas, os mineiros continuam a cativar um público ávido por canções simples e diretas, mas que tocam o coração.

O novo álbum corria o risco de sair de forma totalmente independente, já que o Pato Fu havia deixado sua antiga gravadora, a BMG, algum tempo atrás. Totalmente gravado no estúdio que John e Fernanda têm em casa, Toda Cura Para Todo Mal está entre os melhores lançamentos deste ano. Sorte dos fãs que a poderosa Sony irá distribui-lo, fazendo com que o disquinho chegue mais rapidamente em todos os cantos do Brasil. Mas que seria bom para a música brasileira se o trabalho continuasse totalmente independente, ah, isso seria sim. Destaque, antes que eu me esqueça,  para Boa Noite Brasil, singelamente cantada em português... de Portugal, graças à participação da cantora Manuela Azevedo, em perfeita sintonia com Fernanda Takai.



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