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ANTICS, DO INTERPOL
Por Valdir Antonelli
11/05/2005

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A tal sina do segundo disco persegue dez entre dez bandas iniciantes, não tem como fugir disso. Se não me engano, foi o Roger, líder do Ultraje, que disse uma vez ser muito mais fácil fazer o disco de estréia, pois o grupo já testa estas músicas há anos. O segundo disco, por mais que as canções sejam lançadas em alguns shows, jamais terá tanto tempo assim para o cara saber se tal canção é realmente tão boa quanto pensam.

O que fazer então? Apostar na mesma receita, mudando um ou outro ingrediente? Parece ser este o caminho seguido pela maioria dos grupos e o Interpol não foge a regra. Seguindo a mesma fórmula que o levou a fama, estes nova-iorquinos vão, novamente, fundo em suas influências, principalmente Joy Division e Gang of Four. Mas também mudam um ou outro elemento. Enquanto o disco de estréia, Turn On The Bright Lights, era excessivamente árido, Antics, recém-lançado por aqui, é um pouquinho mais florido, dançante às vezes.

Abrindo com uma bela balada, Next Exit, o pessoal do Interpol foge um poucos das guitarras ardidas e se apóia em um órgão totalmente retrô. Isso tudo abrindo passagem para o single, e já hit nas festas underground paulistanas, Evil. Evil já pode ser considerada uma das melhores canções de 2005 no Brasil, já que o disco só foi lançado por aqui agora. NARC, que vem a seguir, vai pela mesma balada, loguinho virará hit. Mas até agora nada muito diferente do trabalho anterior, no fundo você só vai ver a diferença se for muito chato. O mais visível é a opção por canções mais diretas e rockers, mesmo que com alguns arranjos interessantes de teclado, ainda bem, já que mais um Strokes ninguém agüenta.

Mas é em Take You on a Cruser que a banda se supera. Uma das melhores do disco com a guitarra te perseguindo o tempo todo, uma bateria marcial e quilos de delay, aquele efeitinho de guitarra que repete os últimos acordes. Mas não pense que eles esqueceram seus ídolos, Slow Hands é Joy Division até a alma, apesar de ter uma guitarrinhas a mais, espere até o refrão e descubra que Ian Curtis pode não ter morrido. Not Even Jail, que vem na seqüência, se mantém no clima.

Lotado de letras falando sobre dor, perda, amor - a maioria -, o Interpol pode até não ter feito um disco florido, como eu exagerei lá em cima, mas traz uma leve mudança. C´mere, o próximo single é assim, guitarras minimalistas e uma letra ao mesmo tempo romântica e depressiva. Este pode ser um disco de transição para a banda, algo entre o deserto do primeiro e o oasis ensolarado que pode aparecer no próximo. Apenas um exercício de adivinhação, nada mais. Antics é um ótimo disco e ponto.



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