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ULISSES, DE JAMES JOYCE
Por Paula Gillespie
11/06/2004

Em "Ulisses" (1922), de James Joyce, Stephen retorna do exílio para o funeral de sua mãe. Juntando seus recursos para retornar a Paris, ele passa o dia 16 de junho de 1904 perambulando pelas ruas de Dublin. Se em "Retrato de um Artista Quando Jovem", ele era o personagem principal, em "Ulisses", Stephen é apenas um dos dois personagens masculinos principais.

O outro, uma figura mais madura, é Leopold Bloom, um judeu de Dublin, cuja esposa, uma cantora, mantém um relacionamento extra-conjugal enquanto Bloom se matém gentil apesar do coração partido. Também no dia 16, Leopold perambula por Dublin indo em um funeral, trabalhando um pouco, tentando arrecadar dinheiro para uma viúvia de um amigo, literalmente aproveitando um dia normal. Finalmente, ele sacha Stephen e o segue para um bordel. Stephen embriaga-se e Bloom o leva para casa para um chocolate, onde finalmente o judeu reencontra sua esposa, Molly, que faz as últimas palavras do romance, num fluxo de consciência gigantesco.

O livro tem vários temas. "A Odisséia", de Homero, é o mote. Durante a composição, Joyce batizou os dezoito capítulos do livro com elementos da épica homérica. Solidão, alienação e o vagar também são temas recorrentes. Bloom, como um judeu, encontra hostilidades o dia inteiro numa Dublin preconceituosa. Entretanto, ele trata todos humanamente apesar de todo o destrato que recebe de volta.

Já Stephen irá lutar com o nacionalismo, religião e linguagem enquanto experimenta pesar e culpa pela morte de sua mãe. Ele também luta contra emoções contraditórias de sua rejeição pelo cenerário literário de Dublin. Stephen recusa-se de participar das regras do Revival da Literatura Irlandesa e cria um sketch cômico mas humano para um grupo de jornalistas sobre duas mulheres dublinenses.

Através do dia, Stephen se lembra da mãe e de sua morte com remorso e culpa. Bloom, a contrapartida de Stephen, reflete sobre a perda dos próprios filhos, um pela morte e outro pela distância. O interesse do judeu pelo católico atormentado tem, obviamente, seu espelho mítico em Odisseu e Telêmaco, mas também é uma irônica alusão a Ícarus e Dedalus, ou seja, Bloom tem o toque de artista mas tem pouco habilidade para resgatar Stephen de um problema artístico que o aflige. Perto do final da obra, Bloom e Stephen urinam juntos no jardim e o líquido se transforma em um pequeno cosmos particular, uma epifania gigante para ambos. Por fim, Stephen recusa o abrigo oferecido por Bloom e deixa-o para enfrentar Molly, que assume o discurso e apresenta a perspectiva feminina de uma Dublin deserta, perversa que termina em um ambíguo "sim", que pode ser interpretado de diversas maneiras significativas.



Paula Gillespie é especialista em James Joyce e escreve para o site http://www.rejoycedublin2004.com. Artigo traduzido por Danilo Corci.

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  Comentários
 Irineu Marcus Vassiliades 27/12/2006 - 17:25:25 
Tentei ler este livro por duas vezes. Uma aos trinta e poucos anos e outra aos 40 e poucos. Ambas as vezes, fracassei no meu intento, pois achava muito difícil o entendimento do seu conteúdo. Hoje aos 64 anos, finalmente consegui ler o livro inteiro (à duras penas, diga-se) e cheguei à triste conclusão que não sou eu o idiota, mas sim seu autor que confessa a certa altura "Será que alguém me entende ?" Ora, JJoyce devia ser um neurótico com repentes de escritor, garatujando idiotices sem nexo e sem valor que os seus primeiros leitores e críticos, para não passarem "recibo" de idiotas e confessar que não entenderam nada, foram no sentido contrário exaltando uma estultice sem tamanho com loas e elogios os mais profundos e centrados numa "psicologia" profunda e fundamentada nas idiossincrasias espúrias escritas ou por um rematado idiota ou um boçal com pretensões literárias ! A mim parece a estória da "roupa do rei" (Já que não podemos vê-la, vamos elogiá-la !)
Isto é um desabafo de quem por mais de 30 anos não se conformou em : 1º) não conseguir terminar a leitura e 2º) Quando consegue vê que não era o leitor que não tinha "estatura" cultural para entender o livro, mas sim que o livro é a pior coisa que eu já li na minha vida!
Até bula de remédio pra vacas tem mais nexo do que este lixo pretensamente cultural. Chega !

 Joaquim de Lisboa 22/02/2007 - 09:52:38 
 http://www.narotadediogocao.pt.vu
Não posso dizer que li o livro.
Ao passar os olhos pelas palavras - muitas das quais não entendi - julguei descobrir semelhanças de escrita em autores actuais.
Na aglutinação lembrei as "invenções" de Mia Couto e, no capítulo final - sem pontuação - lobriguei o nosso Prémio Nobel, Saramago.

 Priscila Estefânia da Silva 27/02/2007 - 15:08:54 
Sua graduanda em administração e formada em MBA, ambas pela Pontificia Universidade Católica do Paraná e concordo plenamente com o Sr. Irineu Marcus Vassiliades, pois tentei varias vezes ler o livro e realmmente ele é muito dificil de entendimento. Confesso que quando iniciei minha leitura, me senti uma das pessoas mais burras do mundo. Peguei por varias vezes me questionando se eu era realmente burra. Como poderia ler um livros por varias vezes e não entendê-lo??? Pensei que o problema era realmente comigo. Visando entender o que poderia ter acontecido tomei a iniciativa de entrar na NETE para ter mais informações sobre o LIVRO e constatei que realmente eu não fui a única e sim mais uma das pessoas que não conseguiram entender um livro mal feito....

 NELSON 05/03/2007 - 09:04:23 
não me desanimem por favor.Li umas 100 paginas e estou a adorar,talvez pq nao encaro aleitura como estudo e nao tenho a pretensão de o entender e talvez pq ja sobrevivi a varios livros do lobo antunes :-).E digo-vos que independentemente do que me falta ler alguem que exorcisa a perda da mãe com as tiradas dele é no minimo alguem k admiro

  22/03/2007 - 11:53:34 
Sem dúvida é um livro estranho, uma leitura difícil, muitas vezes parece até sem sentido... porém uma coisa nao se pode negar: gostando ou nao, entendendo ou nao, é um livro que nos acompanha por muuuito tempo após a leitura... utilizando as definicoes de calvino : 1)Um clássico é uma obra que provoca incessantemente uma nuvem de discursos críticos sobre si, mas continuamente as repele para longe. 2)É clássico aquilo que persiste como rumor mesmo onde predomina a atualidade mais incompatível.

 sidney dias luiz 04/04/2007 - 21:37:09 
gostar de literatura é isto mesmo, não entender, entender, gostar ou não,desenvolver o "nosso enxergar o mundo ",com a ajuda de escritores,que têm uma forma diferente,ainda bem,e quem nos ajuda a tentar(apenas tentar) ver o mundo com a nossa pespectiva, o nosso olhar e pensar.Sugiro outro grande escritor, João Guimarães Rosa e vc teram as mesmas impressões:Só a partir de várias leituras como é bom ler estes mestres. Abraço

 adriana chaves 25/05/2007 - 13:47:33 
vou ler

 sOromenho, a c 28/06/2007 - 22:22:42 
por casuauaulid: acabei de ler ulysses dias após bloomdiaflorescer eu. não há mais. solilóquio sim sim sims. judeando pelas ruas da dubline. incr: vel.

 Renato 18/07/2007 - 17:05:08 
 http://www.fotolog.com/rmsou
Assustam-me impressões como a primeira registrada aqui, do Sr. Irineu. O mundo hoje (é a modernidade? ou já acabou?) afigura-se para nós com uma diversidade tamanha que podemos nos encontrar, nos buscar, incessantemente. Ulisses foi um marco na minha vida, é um marco na minha vida. Por eu me sentir burro, por ler o livro inteiro e querer lê-lo novamente muitas outras vezes. Por dizer Sim ao final, sem me importar mais... Como disse o colega, leia Guimarães Rosa, sei lá, ouça Stravinsky, Shostakovich, C. Guarnieri... Leia William Faulkner... Depare-se com o que se afigura maior do que a idéia que você tem de você. Isso não faz mal a ninguém, no máximo, ao ego.

 robereto 14/05/2008 - 09:30:44 
ao definir Joyce como um idiota, corre-se o risco de ser julgado participante da grande população ignorante que há em nosso país, que ao invés de perscrutar tentando entender o verdadeiro significado de algo que lê, rejeita radicalmente, justificando sua falta de inteligência numa suposta falta de talento do autor. Há muitos escritores pífios, mas Joyce foi no mínimo um gênio no quesito criatividade. Admira-me presenciar alguém citando apenas pontos negativos!

 Juliano F. Mattos 11/06/2008 - 20:20:20 
 http://www.soundchaser.comm.br
Parece mesmo muito mais fácil quando alguém se depara com a própria incapacidade (quase no fim da vida, diga-se), colocar culpa em elementos externos, como a arte. Mais interessante ainda é o fato de o Sr. Irineu ter "tentado" a leitura por três vezes no espaço de umas duas décadas e só após tanto tempo ter percebido que se trata de "um lixo pretensamente cultural". Concordo que deve ser revoltante um ser humano perceber que após sua vida passar, ainda ter de nivelar por baixo quando de uma apreciação artística baseado em uma suposta verdade absoluta pessoal.

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