O caminho, esse, em quadros de variadas cores, se mostrava pequenas utilidades de diversas possibilidades. Havia cores demais para serem apontadas e funcionava tudo como uma interessante brincadeira de está comigo, comigo não está mais. Em passos resolutos de prever o futuro, o jovem movimentava-se encantado com aquela diversidade, vendo pequenos flashes e momentos embutidos em cada um deles. Haveria mesmo infinitas possibilidades? Quando mais olhava, mais brilhava seus olhinhos de fuinha pronto para devorar. Havia um cheiro de desafio no ar, desafio perigoso, daqueles que clamam por tapas doloridos, sinônimo de quem ainda não viu de tudo. Lá ou cá, o jovem só sabia de uma coisa, de frase feita de biscoito da sorte brinde: tome cuidado com o que deseja porque quando a hora chegar, você pode se perder porque vai ser mais do que você poderia imaginar. Sua pequena vida minúscula sabia disso, mas manteve o sorriso, como um anglófono sussurando eu te disse, eu te disse.
O infinito de cores o engolfava. Pulava os quadrados olhando cada detalhe, reflexos, espelhos que voltam seculares verdades. Em qual deles deveria mergulhar? Quem saberia, todos pareciam possíveis, tangíveis, mas, acima de tudo, fascinantes como uma compota de melado com mel. Andava mais um pouco, joelho amoleceu, virou pasta cozida com dose cavalar de calor. Escorreu, se ergueu. Mais dois passos, o treme-treme voltou. Ah? Segurou e continuou andando. Alegria de pobre bastardo. Logo ali, ali mesmo, o quadrado-cor tornou-se buraco que engolfou. Seja o que tivesse ali, o jovem continuava a sorrir porque já sabia.
- Eu te disse, falou o mágico.
- Não, não.
- Disse sim.
- Não, não.
- Coloridos mil.
- Não, não.
- Não?
- Não. Duas cores. Vermelho e rosa.
- Ah, quer decifrar?
- Não preciso, eu já sei.
- Sabe?
- Sei.
- Como?
- Não digo.
- Por quê?
- Porque não necessita, a graça está nisso, muitas vezes, mas nem sempre. Mas sabe aquela quietude? Ela diz mais do que se imagina e de lá vem vermelho e rosa. Se você procurar pequenas pistas, verá isso claramente.
- Arrá, você faz jogos de palavras e pensa que me engana, logo eu, o mágico?
- Não.
- Você gosta desta palavra.
- A negativa? Não.
- O mágico aqui sou eu, então vamos mudar isso.
- Agora eu digo sim, sempre.
- Quer desafio?
- Tsc, tsc, tsc. Você sempre fala demais. Eu já joguei com o demônio e ganhei.
- Mas ele virou borboleta.
- É, dá medo, não? Pobre medo eterno. Mas isso faz meus olhos brilharem.
- É pouco.
- É?
- Sim.
- Agora você me pegou…
- Por isso eu te desafio.
- Ok. Você já fez isso uma vez.
- Sim, mas teve frescura demais.
- Não.
- Teve sim, excesso de frescuras.
- Não, não e de novo não.
- Ah, prolixo e louco.
- Não, mágico.
- Vai encarar o desafio?
- Com os seus coloridos de vermelho e rosa?
- É.
- Eu gosto mesmo de mágicos. Por incrível que pareça, podemos passar uma vida toda sem conhecer um – talvez só pela televisão, cinema, mas daí num conta muito, né?
- Pare de divagações.
- Já parei.
- Então?
- Então é isso. Ah, só por dizer porque no final não faz diferença mesmo, você pode até tentar impedir, mas não vai conseguir. Eu costumo usar truques sujos de telecatch barato.
- Acho que já sei, mas eu sou mágico.
- Isso eu também sei. A propósito, me faz um favor?
- Talvez. Pode ser, vai.
- Então, eu já te falei eu te disse uma vez e você alegou excesso de frescura. Não me deixe dizer isso outra vez.