Posts Tagged ‘Resenha’

O futuro da música instrumental

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Se você quer saber o que vai acontecer com a música instrumental no futuro então ouça TYFT e Big Air. Ambos estão entre o que há de mais criativo e novo no cenário musical europeu. Ouvi-los é dar um passo à frente, em direção à música das próximas décadas.

TYFT é um trio liderado pelo guitarrista islandês Hilmar Jensson. É uma verdadeira paulada sonora. Apesar de ótimos, eles ainda são desconhecidos por boa parte da grande mídia, principalmente fora da Europa. Isso mesmo depois do disco Meg Nem Sa, de 2006, ter sido aclamado pela crítica especializada como um dos melhores trabalhos de jazz rock desta década. Para quem é surpreendido pelo som da banda (como eu fui), o TYTF acaba demostrando que a música não tem limites e sempre vai ser capaz de se transformar em algo inovador, difícil de nomear.

Formado por Hilmar Jensson nas guitarras e na programação dos sons eletrônicos, Jim Black na bateria e o multi-instrumentista Andrew D’Angelo, o TYFT é um som novo que está no imenso espaço existente entre o jazz e o rock. Difícil de enquadrar, ótimo de ouvir.

O pessoal do TYFT toca junto desde os tempos de escola de música, em Berklee, nos Estados Unidos. Apesar de se conhecerem há tanto tempo, o grupo só se formou recentemente. Mais experientes, os músicos foram então capazes de levar muitas inovações para as composições. Jensson, que não é um guitarrista muito chegado ao uso de acordes, é um fera em criar riffs e usa um laptop para gerar sons enquanto a banda toca.

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A lenda de Seasick Steve

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13

A vida de Steve Gene Wold, também conhecido por Seasick Steve, é a história de um sem-teto com final feliz. Olhando de longe, parece até um quadro do sempre péssimo Programa do Gugu, mas não é. Hoje, Seasick, que já sobreviveu comendo restos de comida que ele encontrava em latas de lixo, é um dos nomes mais badalados da música no Reino Unido. E você, meu caro leitor, pode imaginar que o caminho de Steve até aqui deve ter sido difícil. E foi. Esse veterano do blues só gravou seu primeiro CD, Dog House Music, em 2006, quando já contava sessenta e poucos anos na cacunda. Porém, agora, tudo mudou. Suas participações em programas de TV, documentários e shows na Europa são cada vez mais constantes. O segredo? Uma história pra lá de interessante contada por uma figura singular que, apesar de ainda não se encaixar, hoje faz parte do badalado mundo pop. Tudo isso embalado pela capacidade musical pra lá de sensacional que Seasick possui.

A incomum trajetória do hoje famoso Steve começa quando, com apenas 14 anos de idade, ele decide fugir de casa. Na verdade, Seasick deixou de morar com sua família depois que seu padastro o atirou pela janela durante uma das costumeiras surras que ocorriam no ambiente familiar completamente destroçado que existia em sua casa. Depois da fuga, Seasick perambulou pelas ruas do interior da Califórnia. Virou sem-teto. Circulou por inúmeros estados norte-americanos. O próprio Steve afirma que nesse tempo ele era um hobo, espécie de andarilho que viaja de trem sem pagar, não tem casa e aceita qualquer tipo de trabalho braçal para arrumar um trocado.

Muitos anos, dezenas de cidades, alguns continentes e muitas prisões por vadiagem depois, Steve se mudou para a Noruega em 2001. Lá, esse homem que vive fora do tempo e do universo alucinado das celebridades, apesar de nos últimos anos sempre ter estado dentro dele, começou a se apresentar em casas noturnas. Seus instrumentos inusitados ― uma guitarra com apenas três cordas e um outro que se parece com uma espécie de monocorde, ou algo do tipo, que ele chama de one string diddley bo’ ―, aliados a sua excelente capacidade de interpretação, o transformaram em sucesso da noite para o dia.

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O vulcão Gogol Bordello

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“Comece a usar púrpura! Agora!” É isso que pede Eugene Hütz, um ucraniano que teve de deixar seu país em 1986 em razão da catástrofe atômica de Chernobyl. Ele é o líder da banda Gogol Bordello, que combina elementos do punk, música cigana, flamenco, folclore italiano, música de cabaré e tudo mais o que você puder imaginar. Os shows de sua banda estão entre as coisas mais malucas e interessantes da música pop atual.

Depois de deixar a Ucrânia, Hütz viveu como refugiado na Polônia, na Hungria, na Áustria e na Itália. Finalmente, em 1993, ele se mudou para Nova York. Lá ele conheceu o guitarrista Vlad Solofar e o tocador de squeezebox Sasha Kazatchokoff. Os três acabaram convidando o baterista norte-americano Eliot Fergussen para fazer parte da Gogol Bordello.

Os primeiros shows da banda consistiam em tocar música cigana em casamentos de imigrantes russos nos EUA. Depois, eles passaram a fazer apresentações pra lá de bizarras nas casas noturnas alternativas novaiorquinas. Seus shows, um verdadeiro espetáculo teatral, conquistaram seguidores fiéis na cena underground dos EUA.

Em 1999, o grupo lançou o single When the Trickster Comes a-Pokin’. Depois, a banda logo chegou a seu primeiro CD: Voi-la Intruder. Produzido por Nick Cave e pelo baterista do Bad Seeds, Jim Sclavunos, este álbum é uma das coisas mais interessantes e engraçadas produzidas nos últimos anos.

Em seguida ao lançamento do primeiro CD, Solofar e Kazatchkoff deixaram a banda. Em seus lugares entraram os israelenses Oren Kaplan (guitarra) e Ori Kaplan (saxofone) — que não são parentes apesar dos sobrenomes idênticos — e o acordeonista russo Yuri Lemeshev.

Em 2002, Gogol Bordello embarcou em uma turnê europeia, o que trouxe para a banda novos fãs e novas vendas com lançamento do Voi-La Intruder para o público do Velho Continente.

Nessa mesma época o grupo lançou um novo CD, Multi Kontra Culti vs. Irony. Depois, em 2005, veio o EP East Infection.

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A política e a música do Asian Dub Foundation

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26

Política e música se misturam sim. Esta é a mensagem do ótimo grupo Asian Dub Foundation, espécie de The Clash da era pós-música eletrônica e das décadas de 1990 e 2000. Uma banda do mundo globalizado, recheada de inúmeras sonoridades e sem medo de produzir algo completamente novo. Sempre provocador, o som desta banda é, às vezes, politicamente incorreto, mas também é sempre sonoramente demolidor.

Formada em 1993, depois da filmagem do documentário Identical Beat, o qual foi gravado na Farringdon Community Music House, em Londres, no Reino Unido, a banda mostra o quanto a música pode ser transformadora e profundamente engajada.

Os jovens que se reuniam no centro comunitário para participar de inúmeros workshops, feitos para ensinar crianças de famílias asiáticas noções elementares do uso de tecnologia na música, acabaram produzindo uma das mensagens mais interessantes da música pop atual.

Os responsáveis pelas aulas na Farringdon Community Music House eram Aniruddha Das e John Pandit. Com a sequência dos cursos, um aluno acabou se destacando dos outros. Seu nome era Deedar Zaman, um rapper bengalês. Logo, os três estavam fazendo apresentações. Era o começo da carreira do Asian Dub Foundation. Depois, outro jovem de nome Das, baixista e tocador de tabla, juntou-se à banda.

Eles então adotaram nomes artísticos. Das se tornou Dr. Das; Pandit passou a se chamar Pandit G; e Zaman se tornou Master D. Em 1994, Steve Chandra Savale, ex-guitarrista da banda Higher Intelligence Agency, se juntou ao grupo.

Inicialmente eles eram cultuados pelos clubbers e pelas associações de luta contra o racismo em Londres. Suas músicas, voltadas contra o racismo e o neofascismo europeu, ganharam logo inúmeros admiradores. Mesclar drum&bass e ragga com melodias tradicionais da Ásia, principalmente do Punjab, e colocar nas letras um pegada hip-hop chamou a atenção dos críticos britânicos de música.

Logo eles estavam lançando seus primeiros trabalhos. Em 1994, eles lançaram o EP Conscious, e, em 1995, o single “Rebel Warrior” atingiu o grande público no Reino Unido.

Em 1998, eles lançaram o excelente CD Rafi’s Revenge, e, em 2000, o também muito bom Community Music. Este último é uma jóia repleta de dub, punk, funk, reggae e dancehall. Músicas extremamente politizadas, mas que também fazem qualquer ouvinte balançar o esqueleto.

Rafi’s Revenge mostra desde a faixa “Real Great Britain” que para o Asian Dub Foundation as questões políticas são tão importantes quanto as escolhas musicais da banda.

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Discografia: Echo and the Bunnymen

jun
14

Uma das principais bandas do levante pós-punk britânico do começo dos anos 80, o Echo and The Bunnymen lançou quatro álbuns excelentes entre 1980 e 1984 até desmontar-se como castelo de areia na praia devido a desentendimentos internos motivados por, entre outras coisas, o abuso do uso de drogas pesadas, o álcool, e o ego elevado de seu líder, o vocalista Ian McCulloch. Após 1987, ano do último registro da formação original daquele que é considerado o segundo grupo mais importante de Liverpool, o Echo and The Bunnymen seguiu uma carreira errática lançando discos que, mesmo quando não eram bons, traziam ao menos uma ou duas canções memoráveis.

A relação dos ingleses com um Brasil merece uma menção. No auge da crise da banda, o Echo baixou no país para cinco shows extremamente elogiados em quatro capitais, que segundo Ian lhe lembrou os melhores dias do grupo. Menos de um ano depois, no entanto, ele deixava a banda para uma carreira solo que não impressionou, e retornou ao Brasil em 1999 acompanhado apenas de Will e mais alguns pistoleiros de aluguel, para depois bater cartão em 2001 (quando discotecou em uma casa noturna, fez pockets em rádios e bebeu muita caipirinha), 2002 para um novo show dos Bunnymens, e solo em 2004, quando encantou gastando seu fio de voz para interpretar clássicos de Velvet Underground, Leonard Cohen, David Bowie e… Echo and The Bunnymen.

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