Posts Tagged ‘literatura’

Um longo rastro de sangue

mai
16

Mesmo com um começo modesto em revistas feitas do mais vagabundo papel, o romance policial cresceu e se firmou como um dos mais populares gêneros literários do século 20, e, ao que tudo indica, vai atravessar o próximo século da mesma forma que passou pelo primeiro: enfrentando de bandidos sádicos e inescrupulosos a críticos e intelectuais que insistem e em tratá-lo como subproduto cultural.

Surgido no começo do século 20, o romance policial ou, como muitos preferem, romance noir, sempre ocupou um lugar menor no meio literário. Considerado pela elite intelectual, desde seu surgimento, como lixo cultural, literatura barata, desprovida de elementos que levassem à reflexão do indivíduo, criada apenas para o consumo rápido e distração de pessoas “incultas”, esse tipo de ficção, ainda hoje, perambula pelos guetos da história, lugar esse, aliás, que sempre lhe foi muito familiar.

Muita vez confundido com romance de espionagem, terror ou mistério e chamado genericamente de Pulp Fiction, o noir se difere dos demais gêneros graças a uma série de regras de estilo que, ao mesmo tempo, lhe impõe restrições e o tornam inconfundível. O escritor Marcos Reis, certa vez, definiu bem os limites do noir ao observar que basta se colocar o interesse de um país na trama para esta se tornar uma história de espionagem; se algo sobrenatural permeia a narrativa então temos uma história de mistério. Quanto ao termo Pulp Fiction, este se refere mais ao tipo de papel usado para impressão de livros baratos, do que a um estilo propriamente dito, e ai entram até as açucaradas histórias de Sabrina e Julia. O tema tratado pelo noir é, invariavelmente, o mundo do crime, com seus guetos sujos, habitados por seres execráveis, detetives violentos e policiais decadentes, tipos femininos ambíguos, enfim, um apanhado de personagens imorais envolvidos em tramas complexas, num ambiente realista e sombrio.

Há quem defenda Conan Doyle como primeiro escritor policial da história. O criador de Sherlock Holmes, ao menos, definiu algumas diretrizes para o gênero, mas uma rápida comparação entre o pomposo detetive britânico e figuras como Sam Spade, de Dashiell Hammett, e Philip Marlowe, de Raymond Chandler, nos mostra a distância entre esses personagens e os mundos, ou submundos, nos quais os mesmos atuavam. Sherlock Holmes era um aristocrata, extremamente inteligente e culto, que desvendava seus casos de forma sutil, mesmo em uma Londres sombria e misteriosa.

Aqui completo.

Escritores assassinos

mai
2

Há alguns meses a sociedade mexicana estremeceu com a notícia do que foi encontrado no apartamento situado a Mosqueta, 198, na central e valente Colônia Guerrero, bairro da Cidade do México. Ali morava José Luis Calva Zepeda, homem de 37 anos que se intitulava “escritor, dramaturgo e poeta”. Certo é que o homem não passará para a História como o autor de clássicos ou de qualquer cena memorável, mas por ter assassinado Alejandra Galeana, sua namorada, e depois fritar-lhe a carne e devorá-la.

Mas isso não é tudo. A desafortunada Alejandra supostamente não foi a única vítima (e janta) do escritor. Aparentemente, uma antiga noiva e uma prostituta também fizeram parte de sua dieta, o que lhe rendeu o epíteto de “o poeta canibal”.

O escritor e o homicídio

A literatura sempre esteve ligada à hemoglobina e ao crime. Desde obras como Gilgamesh, A Ilíada e A Odisséia, os narradores se esbaldam em destilar estripamentos, decapitações e assassinatos. As tragédias gregas também eram pródigas em sangue: cenas como a automutilação de Édipo (que arranca os olhos) ou a exibição da cabeça de Penteu nas Bacantes serviam para impactar e doutrinar os espectadores.

Talvez o primeiro caso de relação direta entre letras e assassinos tenha sido O assassino, de Thomas de Quincey, tomado como alta literatura. Nessa obra, o autor inglês satiriza as semelhanças entre a criação artística e o crime, propondo uma visão do assassinato para além da moral, a fim de desfrutar a beleza do crime como um ato estético. Para Quincey, existem belos crimes, que podem, sim, ser admirados. Ele exemplifica seu ponto de vista com alguns dos mais famosos crimes da Inglaterra de sua época.

O resto do texto está aqui.

Shadowplay virou microconto

jan
1

To the centre of the city where all roads meet, waiting for you,
To the depths of the ocean where all hopes sank, searching for you,
I was moving through the silence without motion, waiting for you,
In a room without window in the corner I found truth.

Percebi que ela entrou no quarto quando vi o jogo de sombras projetado na parede. Ela havia voltado meio cambaleante, o jogo de sombras me mostrava todos os detalhes. Podia ver suas pernas tortas porque a luz se projetou por trás de seu corpo suado. Na hora fiquei pensando onde ela estivera todo aquele tempo, eu havia passado a noite toda a sua procura, fui em quase todos os bares que existem na cidade, visitei cada uma das sucursais do inferno onde sabia que ela andava quando ainda não namorávamos. Não podia conter as perguntas, não naquele dia.

– Onde você estava? Onde você esteve a noite toda? – meus olhos continham raiva, tenho certeza.

– Eu não fui muito longe, fui beber com umas amigas, e não precisa falar comigo nesse tom. – ela tremia, mas não era frio.

– Você tem idéia até onde eu fui para te procurar? Eu fui até o centro da cidade e fiquei te esperando, esperando você dar o ar de sua graça. – minha raiva só fazia aumentar. Ela saiu do quarto e foi para cozinha, comigo atrás falando cada vez mais alto.

O resultado completo do texto de Breno Cavalcante de Souza, você lê aqui.

Fim de ano de muita literatura

dez
22

fimdeano

CBL anuncia vencedores do 50º Prêmio Jabuti

set
23

Livro autobiográfico do catarinense Cristovão Tezza é o melhor romance e 1808, de Laurentino Gomes, é o melhor livro reportagem. A lista completa você vê aqui.