EP Writings #09: Trisomie 21
mai31

Você já ouviu falar no Trisomie 21? Talvez sim, talvez não, mas o que importa de verdade é que a banda chega aos seus trinta anos de carreira sendo ainda uma influência gigantesca para bandas da nova geração. Pensar no som do She Wants Revenge, por exemplo, é ver que, muito antes desta nova onda dark eletrônica que vem recrudescendo, já havia um bastião criando pequenos clássicos, como “Djakarta”.
Por isso o lançamento de Black label, o 14º álbum da carreira do grupo é importantíssimo. Oficialmente formado em 1980 pelos irmãos Herve e Phillipe Lomprez, então com dezoito e vinte anos, respectivamente, o Trisomie 21 sempre foi o rei do underground. Enquanto as massas ignoravam completamente a existência da banda, aqui no Brasil, por exemplo, o T21 era uma das presenças obrigatórias nas festas do Madame Satã e congêneres. Obviamente, não tardou para que a banda fosse rotulada de “gótica”. Mas longe do gótico tradicional, o Trisomie 21 pode ser visto do jeito correto: fazem música do jeito deles – Phillipe é engenheiro de som e professor de música.
E Black label desponta como uma das grandes surpresas dos lançamentos de 2009. Enquanto bandas veteranas como Depeche Mode e U2, por exemplo, entregam um feijão com arroz amanhecido, o Trisomie 21 não renegou sua história, mas criou um disco completamente atual, um rock Trisomie 21.
“Isso é fruto de uma coesão. O T21 são dois irmãos, é uma fórmula boa, temos uma coesão perfeita, cumplicidade. E tínhamos em mente de criar algo mais do que simplesmente música. Nós queríamos um estilo Trisomie 21, uma visão do mundo. Nós precisávamos disto.”, explica Phillipe em uma conversa via e-mail.
E a decisão parece ser realmente séria, afinal eles se juntaram à Chrome Music, selo que tem bandas do naipe de Front 242, depois de anos de independência. “Tínhamos de ficar concentrados no disco, não somos vendedores, precisávamos de ajuda.”, diz Phillipe justificando o contrato que caiu como uma bomba para os fãs. “É uma honra pra gente quando as pessoas nos falam sobre influências e sobre serem fãs, mas não deixamos isso nos influenciar. A única pressão que existe, de fato, é a nossa.”, afirma.
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