A vida fútil do Lacuna Coil

abr
18

Tony Wilson, no finalzinho da década de 70, cunhou o termo “gothic” para definir o som do Joy Division. A epifania do gênio charlatão foi o que revistas e jornais necessitavam para dar o rótulo necessário a uma turma esquisita que estava tomando conta dos muquifos roqueiros da época.

No início dos anos 80, o rock gótico ganhou espaço e respeito e foi se subdivindo. Influenciadas por bandas como Sisters of Mercy, Christian Death e Fields of the Nephilim, da fase gótica inicial e por Paradise Lost, já em início da década de 90, surgiu a vertente goth metal preconizada pela banda poser Type O Negative. Em seguida, o estilo foi ganhando burilagem com nomes como Cradle of Filth e Lacrimosa, esta última que preconizou o elemento-chave do estilo no século 21: bandas calcadas na imagem feminina.

Mas foi a italiana Lacuna Coil que definiu de vez o gênero com os duetos entre vocal feminino e masculino, coisa que gerou uma das maiores vergonhas alheias da história da música: a versão de “Phantom of the opera” do Nightwish. Também pode atribuir-se aos italianos, mas não só, o afastamento da estética musical de Judas Priest para a proximidade ao New Metal do Korn, por exemplo. É por isso que o gothic metal é um gênero adolescente por excelência, capaz de gerar bandas inofensivas como o Evanescence e lotar estádios para assisti-la. Este boom popstar ainda passa raspando na trajetória do Lacuna Coil, mas eles estão, mais uma vez, tentando.

Com mais de dez anos de carreira, o Lacuna Coil chega agora ao seu quinto álbum de estúdio, Shallow life. E a síndrome de Peter Pan e Sininho atinge com força a banda. Com seus integrantes se aproximando dos quarenta anos, o Lacuna Coil parece fazer um caminho Benjamin Button: cada disco fica ainda mais adolescente – mas sempre focando no retorno, não à toa chamaram Don Gilmore, produtor de Avril Lavigne, para “retocar” o produto.

O resto d entrevista está aqui.

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One Response to “A vida fútil do Lacuna Coil”

  1. toni carreira disse:

    Impressionante.Já não lia algo assim há bastante tempo…

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