Coisas frágeis

out
7

ERA A VEZ DE OUTUBRO, POR ISSO FAZIA FRIO NAQUELA NOITE, E AS FOLHAS estavam vermelhas e alaranjadas e caíam das árvores que circundavam a clareira. Os doze estavam sentados ao redor de uma fogueira, assando enormes lingüiças espetadas em varetas — que estalavam e estouravam ao pingar gordura nos ramos incandescentes de macieira — e tomando sidra
fresca, que lhes enchia a boca com seu gosto agridoce.

Abril deu uma mordidinha tímida em sua lingüiça, que lhe rebentou na boca e derramou gordura quente em seu queixo.
— Maldita porcaria! — exclamou ela.

Março, agachado ao lado dela, deu uma risadinha perversa e puxou um enorme lenço sujo.

— Tome — ele disse. Abril limpou o queixo.

— Obrigada. Este miserável saco de tripas me queimou. Vai fazer uma bolha amanhã.

Setembro bocejou.

— Você é tão hipocondríaca — alfinetou, do outro lado da fogueira. — E que linguajar. — Ele tinha um bigodinho fino e grandes entradas no cabelo, que faziam sua testa parecer ampla e sábia.

Trecho de Coisas frágeis, de Neil Gaiman, livro que estou lendo agora. Gaiman é hype, todo mundo adora ele. Mas sinceramente, depois do Sandman, muitas vezes acho que ele se repete e perdeu um pouco da mão…

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2 Responses to “Coisas frágeis”

  1. Bruno disse:

    “perdeu a mão”?
    O que você leu além de Sandman? Porque se leu stardust, coraline, deuses americanos, belas maldições, mistérios divinos, etc, não estaria falando isso…

  2. danilocorci disse:

    Bom, eu li stardust, deuses americanos e neverwhere e mantenho a opinião para este coisas frágeis.

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