SÁBADO NO CINEMA

O universo é regido pela lei do caos, já diziam Mandelbrot e Julia. É um perigo. Um simples movimento impensado, uma atitude desviada, pode botar a ordem na lama. Já ouviu falar de ‘celacanto provoca terremoto’ ou da borboleta na Tailândia que provoca terremotos no Caribe. Eu sei, não adianta lutar. O caos está aí. Sábado passado quebrei um protocolo da minha vida e encarei um cinema sozinho. Não digo que ir sozinho ao cinema é um desafio ao caos, mas que a quebra do hábito é.

CELEBRIDADES

Lançando em 1998, Celebrity skin é o sucessor de Live[bb] through this, de 1994, ano da morte de Kurt Cobain. Antes, o Hole[bb] já havia lançado Pretty on the inside, de 91. Os dois primeiros discos do Hole eram verdadeiros petardos sonoros, seminais em sua violência e força bruta. Eram odes atormentadas. Já Celebrity skin é justamente o contrário.

JAMAICA, A GRANDE POTÊNCIA

Mesmo que tivéssemos chance de escolha, seria difícil saber por qual povo preferiríamos ser dominados. Na antiguidade o fardo era menor. Sem CNN nem Internet, um indiano nascia, crescia, casava, morria e reencarnava sem perceber que o mundo era dominado por uma sucessão de fenícios, cartagineses e assírios. Tanto fazia se a potência da época tinha uma cultura mais elevada que a sua e, melhor, o advento dos sitcoms e filmes ruins ainda era apenas uma idéia sem sentido. Mesmo em Bollywood.

ANTE-SALA

É próprio da essência da arte jamais confinar-se a um só tema; precisamente por estar sempre relacionada, de modo imediato, à difusa subjetividade humana, a arte que verdadeiramente pode ser assim chamada espraia-se por constelações temáticas mais ou menos amplas que de algum modo convergem na sensibilidade, conforme uma lógica que nem sempre se revela à razão.

FERREIRA GULLAR

José Ribamar Ferreira, o Ferreira Gullar, nasceu a 10 de setembro de 1930, em São Luís Maranhão. Em outubro deste mesmo ano, Getúlio Vargas lideraria um movimento revolucionário que iria depor o presidente Washington Luís e encerraria o período da República Velha.

NÓS, OS SALTIMBANCOS

Lembro como se fosse hoje: era meu aniversário de 10 anos e um amigo de uma das minhas irmãs, um tal de Serginho, chegou com um LP de presente, Os Saltimbancos, de Chico Buarque, Luiz Henriquez e Sérgio Bardotti. Pra falar a verdade, eu nem gostava muito dele, um sujeito taciturno, envolvido com política, que nem dava bola para minha curiosidade de caçula que gostava de rodear o grupo de estudos da irmã mais velha.

A DESCONSTRUÇÃO DE ALEJANDRO MARTINEZ

Fotografar paisagens é tão antigo quanto o próprio advento da fotografia. Por isso, ser original, criativo nessa modalidade parece algo impossível, ainda mais neste período pós Ansel Adams.

Não é o que acontece com as imagens feitas pelo fotógrafo espanhol Alejandro Martinez.

Nascido em Gijón, norte da Espanha, em 1959, Alejandro começou a fotografar aos 18 anos de idade e nunca mais parou. Desde o começo, sua grande paixão foram as paisagens – primeiro com uma Nikon 35mm, passando por uma Bronica (4,5×6). Hoje usa um equipamento Hasselblad e uma Horseman de 9×12.

SHOWTIME

Puro show e nada mais. É bem isto mesmo o enredo do filme "Showtime", do diretor Tom Dey e com os dois mega-astros Robert De Niro e Eddie Murphy. Mais uma vez, o legítimo caso que assola o cinema americano: bom argumento, péssima execução. 

Mas calma lá. Não estou dizendo que o filme é ruim demais. Nada disto. É engraçado. Conta com uma boa produção também. Eddie Murphy volta a brilhar no seu estilão cômico depois dos desastres de "Professor Aloprado 2" e "Dr. Doolittle 2". As continuações não são o forte do rapaz. 

A ANATOMIA DO DISCURSO DE FEDERICO ANDAHAZI

Federico Andahazi nasceu em Buenos Aires, na incandescente década de 1960, mais precisamente em 1963. Formado em Psicologia, sua grande paixão foi a Literatura, graças a enorme bagagem cultural e tradição da Argentina no mundo literário. Por trinta anos se dedicou a sua profissão academia, a de psicólogo, e em 1995 adentrou à literatura com dois contos: “Las Piadosas” e “Por Encargo”. Eis que começa sua saga como um dos autores mais bem sucedidos da literatura Argentina contemporânea.

SOBRE MENINOS E LOBOS

Sean Penn 

passou de uma carreira de marasmos para o status de um dos mais talentosos atores de sua geração. Em parte, tudo se deve as suas acertadas escolhas de filmes, sempre no meio termo entre alternativo completo e um blockbuster. Digamos, um filme de Hollywood com caras e cores alternativas.